Política / Transparência

Servidor de Puccinelli pagou R$ 183 mil à vista por carro e caiu na rede do Coaf

Se ganhasse teto, teria de economizar 6 meses para pagar à vista

Éser Cáceres Publicado em 04/11/2015, às 13h32

PF na Agesul durante Operação Lama Asfáltica (Arquivo, Midiamax)
PF na Agesul durante Operação Lama Asfáltica (Arquivo, Midiamax) - PF na Agesul durante Operação Lama Asfáltica (Arquivo, Midiamax)

Se ganhasse teto, teria de economizar 6 meses para pagar à vista

Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) revela que um servidor nomeado para cargo de alto escalão nos governos de André Puccinelli (PMDB) pagou R$ 183 mil à vista por um automóvel em julho de 2013. A compra do carro de luxo com pagamento ‘na lata’ é pouco usual até entre os milionários de Mato Grosso do Sul.

Além disso, a negociação é suspeita de ser incompatível com a renda oficial do comprador e foi comunicada ao Coaf porque o conselho aprovou meses antes a resolução 25/2013, impondo às empresas a obrigação de comunicar vendas suspeitas de ‘bens de luxo ou de alto valor’. O procedimento foi adotado para combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo no Brasil.

De acordo com o inciso 1 do artigo 4º da Resolução, todo pagamento ou recebimento acima de R$ 30 mil deve ser comunicado ao Coaf. É assim que, solicitadas pelos órgãos que deflagraram a Operação Lama Asfáltica, estão sendo listadas operações suspeitas realizadas por políticos, empresários e servidores públicos de Mato Grosso do Sul.

Além da compra de veículos de luxo em nome dos investigados ou de terceiros, dados reunidos pela Polícia Federal, Receita Federal, MPF (Ministério Público Federal) e CGU (Controladoria-Geral da União) listam empresas em paraísos fiscais, negociação de fazendas, gado, imóveis e aviões como transações suspeitas de servir para lavar dinheiro supostamente desviado dos cofres públicos durante a gestão de Puccinelli.

Servidor de Puccinelli pagou R$ 183 mil à vista por carro e caiu na rede do CoafA compra do carrão por R$ 183 mil, segundo especialistas, é forte indício de dinheiro ilícito. “Mesmo que ganhasse o teto salarial dos servidores públicos no Brasil, de pouco mais de R$ 33,7 mil desde janeiro de 2015, esse servidor teria de ter economizado todo o salário por aproximadamente meio ano para bancar a compra à vista”, pondera um auditor contábil.

Jornal Midiamax