Política / Justiça

Marinha tem 90 dias para concluir inquérito de assessor do governo que matou pescador em MS

Família quer que os danos sejam reparados ao filho do pescador Carlos Américo Duarte

Renata Volpe Publicado em 24/05/2021, às 07h46

Nivaldo foi identificado como suspeito de causar o acidente que terminou com uma pessoa morta -
Nivaldo foi identificado como suspeito de causar o acidente que terminou com uma pessoa morta - - Reprodução

A Marinha tem 90 dias para concluir o inquérito que matou o pescador Carlos Américo Duarte, de 59 anos, em um acidente causado no rio Miranda, pelo assessor do Governo de Mato Grosso do Sul e genro da deputada estadual, Mara Caseiro, Nivaldo Thiago Filho de Souza. 

Segundo informações da Marinha, a investigação da Capitania Fluvial do Pantanal acerca do acidente, de caráter administrativo, está em andamento, na fase de relatório e junção das informações coletadas. O inquérito, assim que finalizado, será encaminhado ao Tribunal Marítimo.

Conforme as Normas e Procedimentos da Capitania dos Portos, inquéritos devem ser concluídos, por meio de relatório circunstanciado, no prazo máximo de 90 dias, a contar da data de sua instauração até a ciência e o “de acordo” do Capitão dos Portos ou Delegado.

Segundo o advogado da família do pescador, Rodrigo Rolim, o prazo para a conclusão do inquérito da Marinha é de 90 dias. "Nesse caso, quem entra com atuação é o Ministério Público. A família espera a conclusão da investigação da Delegacia de Miranda". 

Ainda segundo Rolim, a família quer que os danos sejam reparados aos filhos. “Vamos esperar a conclusão da investigação. A lei fala em 30 dias. Queremos que os danos sejam reparados aos filhos do senhor Carlos”.

Relembre o caso

Nivaldo estaria embriagado enquanto conduzia uma lancha, de forma imprudente, no momento em que, numa curva, atingiu a embarcação em que o pescador Carlos estava com o filho, no encontro dos rios Aquidauana e Miranda, na região de Miranda, a 168 quilômetros de Campo Grande, no di 1º de maio. Segundo o filho de Carlos, após a colisão, o autor jogou garrafas de bebidas no rio e fugiu em alta velocidade. Ele acabou localizado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) em uma camionete Hilux na BR-262, com a mulher e os filhos, que também estavam na embarcação.

Apesar de confessar que havia bebido, ele não quis fazer o teste de bafômetro, foi levado para a delegacia e ouvido, mas liberado. Foi apurado então que ele não tem o Arrais, documentação necessária para pilotar a embarcação, mas disse que era apto. Ele responderá pelo homicídio culposo e também por duas lesões corporais culposas, mas o caso segue em investigação. Segundo a polícia, durante a fuga a lancha de Nivaldo começou a afundar e a tripulação precisou ser socorrida. 

Jornal Midiamax