Política / Justiça

Ex-ministro do STF, Carlos Velloso, diz que ‘defender voto impresso é falta de conhecimento’

O magistrado aposentado apontou as consequências ruins que o método proposto pode gerar

Felipe Ribeiro Publicado em 24/07/2021, às 17h25

O ministro aposentado do STF, Carlos Velloso
O ministro aposentado do STF, Carlos Velloso - (Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil)

O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Velloso disse que defender o voto impresso é uma demonstração de desconhecimento sobre o processo eleitoral. A afirmação foi feita neste sábado (24), em entrevista ao podcast “Supremo na semana”.

O magistrado aposentado apontou as consequências que a falta de conhecimento pode causar na sociedade.

“Há 25 anos, a urna eletrônica é utilizada sem indício ou evidência de fraude. De maneira que eu penso que há um desconhecimento por parte de muitos. E esse desconhecimento pode gerar apoio a esse anúncio de voto impresso que não traz nenhum benefício. Ao contrário, nos faz retornar ao sistema antigo do voto de papel”, afirmou.

Carlos Velloso participou da transição do sistema eleitoral brasileiro convencional para o eletrônico, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele se aposentou em 2006, aos 70 anos. Posteriormente, houve mudanças na Constituição e a idade máxima passou a ser 75 anos.

Questionado sobre a o discurso da necessidade do voto impresso no País, o ex-juiz foi enfático. “É uma retórica política atrasada. Os parlamentares precisam tomar conhecimento do que é o processo eleitoral e de como ele se desenvolve. É, na verdade, um dos melhores processos em matéria eleitoral do mundo”.

Velloso esclareceu que a Justiça Eleitoral foi criada no Brasil justamente para resolver problemas e para tornar legítimas as eleições. O ex-ministro também ressaltou sobre esforços do TSE para explicar sobre o funcionamento do sistema e os mecanismos existentes de auditagem.

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