O senador de Mato Grosso do Sul, Nelsinho Trad (PSD), apresentou nesta semana um requerimento à CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado para discutir, em audiência pública, as decisões recentes da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) relacionadas aos planos de saúde. Ele critica as mudanças ocorridas.
Conforme divulgado pelo Poder36, o pedido foi feito depois de a agência propor a criação de um ambiente regulatório experimental, também conhecido como sandbox, para testar planos de saúde que cubram apenas consultas eletivas e exames que não exijam internação.
Nelsinho disse que a proposta de audiência pública é debater com transparência os impactos que a nova modalidade pode ter.
“A intenção da audiência pública é esclarecer e dar oportunidade para as partes se manifestarem e para podermos dar transparência a esses temas sensíveis”, disse. Ainda conforme o senador, presidente do CRE (Comissão de Relações Exteriores), a medida anunciada pela ANS “não é unanimidade” dentro da própria agência. Ele informou que foi procurado por integrantes da ANS e por outras pessoas que teriam demonstrado “indignação”.
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva divulgada em 21 de fevereiro de 2025 mostrou que 72% dos brasileiros da Classe C (famílias que ganham de 4 a 10 salários mínimos) já pagaram por consultas ou exames médicos por causa da demora no atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde). O levantamento aponta que 92% dos brasileiros apoiam um modelo nos moldes do proposto pela ANS ao preço de R$ 100 por pessoa.
O senador questionou a eficiência do modelo apresentado e ressaltou que a medida pode levar a outros problemas no SUS. “Isso pode impactar a fila de consultas. E aí, o que vai acontecer? O médico pede o exame, mas você não tem condição de pagar. Vai parar onde? Vai ter que recorrer ao SUS de novo. E, com aquele pedido, não consegue fazer o exame direto. Terá que passar por outra consulta no SUS para que o médico transcreva o pedido feito pelo profissional do plano mais simples”, afirmou Nelsinho.
A audiência pública também vai tratar dos cancelamentos de planos de saúde feitos sem a concordância do paciente e a proposta da ANS de aumentar a idade mínima para que o exame de mamografia seja obrigatório.
*Com informações Poder360