Política

Três senadores tentam se viabilizar como 3ª via na disputa ao Planalto

Entre eles, a sul-mato-grossense Simone Tebet (MDB)

Marcelo Nantes Publicado em 26/09/2021, às 10h21

Três senadores tentam se viabilizar como candidatos à presidência da República na disputa eleitoral de 2022
Três senadores tentam se viabilizar como candidatos à presidência da República na disputa eleitoral de 2022 - Arquivo

Um nome alternativo e que tenha força entre os eleitores vem sendo garimpado pelos partidos políticos para enfrentar o atual presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2022. No Senado, há três senadores cotados como pré-candidatos ao Planalto. Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, eles aparecem embolados na pesquisa Datafolha mais recente.

Mas, de acordo com os resultados divulgados, ainda não há um nome natural da chamada 3ª via brotando na Casa. Os senadores presidenciáveis considerados pelo último Datafolha são o presidente, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a líder da bancada feminina, Simone Tebet (MDB-MS) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Este último é o único a ter se apresentado oficialmente como pré-candidato. Embora concorra às prévias dentro do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) não foi incluído nas simulações feitas pelo Datafolha.

Nenhum deles ultrapassa os 4% das intenções de voto, considerando a margem de erro. No cenário simulado com os três, Lula lidera com 42% das intenções de voto. Bolsonaro aparece em segundo, com 24%. Depois surgem Ciro Gomes (10%), o governador de São Paulo, João Doria (5%), e o apresentador de televisão José Luiz Datena (4%). 

Só então aparecem os senadores. Simone Tebet tem 2% das intenções de voto; Pacheco, 1%; e Vieira, menos de 1%. Votariam em branco ou nulo 10% dos entrevistados, enquanto 2% não opinaram. 

A pesquisa Datafolha foi realizada entre 13 a 15 de setembro de 2021 com 3.667 entrevistados em todo o Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. Pesquisas eleitorais retratam o momento atual.

Simone e Alessandro apostam na visibilidade trazida pela CPI da Covid para crescer nas pesquisas — raramente faltam às reuniões e participam ativamente dos questionamentos de depoentes. Já Pacheco, no comando do Senado, tem imposto derrotas ao presidente Jair Bolsonaro na Casa e deixado de lado pautas do governo — o que dentro do Planalto é explicado pelo interesse do senador na cadeira presidencial. 

Chances reais?

O cientista político da Fundação Getúlio Vargas Sérgio Praça acredita que, atualmente, nenhum dos senadores têm condições reais de chegar à Presidência da República. No entanto, somente por serem lembrados e considerados é vantajoso para se valorizar. Por exemplo, podem ser cotados a vice-presidente em eventual coligação de 'terceira via' ou a ministro de um futuro governo. A ambição pode ser mais "simples" também, como a reeleição ao Senado. 

Pessoas próximas aos senadores afirmam que a baixa rejeição a eles é um ponto de destaque, pois significa espaço de crescimento. A pesquisa Datafolha aponta que não votariam em Pacheco 17% dos entrevistados. Simone Tebet e Alessandro Vieira estão empatados com 14% de rejeição.

Enquanto isso, 59% não votariam de jeito nenhum em Bolsonaro para presidente em 2022 e 38% não votariam no Lula. Doria é rejeitado por 37%; Ciro Gomes, por 30%; Datena, por 19%; Mandetta, por 18%; Leite, por 18%; e Rebelo, por 15%. Outros 2% rejeitam todos os nomes apresentados, 1% não rejeita nenhum e 1% não opinou.

Sérgio Praça atribui a rejeição menor aos senadores pelo fato de não serem amplamente conhecidos pela população. Por isso, o baixo índice pode não ser tão positivo assim.

"Ninguém conhece essas pessoas [extensivamente]. Podem ser, no máximo, vice de alguém", diz. "A gente pode acreditar em número de rejeição de quem ocupa cargo no Executivo. Quando é senador, não é conhecido no Brasil ou no estado todo.".

Para o cientista político, o principal candidato da 'terceira via' deverá sair do PSDB, pelo fato de o partido ser bem estruturado, conhecido pela população, contar com capilaridade pelo país e ter candidatos de estados importantes. Portanto, acredita que o primeiro turno deve ficar em torno de Bolsonaro, Lula, o candidato do PSDB e Ciro Gomes (PDT).

Como se viabilizar?

A senadora Simone Tebet terá de convencer o próprio MDB a apoiá-la até o fim, o que não conseguiu nas duas vezes em que se candidatou à Presidência do Senado. Parlamentares da sigla reconhecem que o partido sofre série de divisões internas e ainda não escolheu qual caminho trilhar em 2022. 

O nome de Simone é colocado num primeiro momento como opção a ser analisado para unir os partidos em torno de uma 'terceira via'. Não é que ela seja a candidata emedebista "para o que der e vier", nas palavras de um interlocutor. De toda forma, considera, seu nome contribui para dar mais relevância ao partido nas negociações e passar a imagem de renovação da sigla, além de valorizá-la.

Se o MDB decidir não seguir com a candidatura de Simone, a expectativa é que ela busque se reeleger ao Senado — seu mandato termina em fevereiro de 2023.

Jornal Midiamax