Política

Projeto sobre entidade religiosa de origem africana causa debate na Câmara de Campo Grande

Vereadores que votaram contra garantem que debate religioso não interferiu no voto

Mayara Bueno Publicado em 06/05/2021, às 11h40

Vereadores durante discussão de projeto de lei nesta quinta-feira (6)
Vereadores durante discussão de projeto de lei nesta quinta-feira (6) - (Foto: Reprodução/Facebook)

"Está enroscado porque é religião", disparou o vereador Valdir Gomes (PSD) durante votação de projeto de lei que torna associação a Sociedade Logunede de Culto e Tradição Religiosa Yoruba Sotrayoruba em utilidade pública, na sessão da Câmara Municipal de Campo Grande desta quinta-feira (6). Os vereadores aprovaram por 24 a 2 votos a proposição que segue para prefeitura sancionar.

Membro da Comissão de Assistência Social e do Idoso projeto, vereador Clodoilson Pires (Patriota) pediu vistas à proposição, o que adiaria a votação nesta quinta, contudo, a maioria rejeitou a iintenção. Votando a favor, o vereador Gilmar da Cruz (Republicanos) disse que não teve acesso ao projeto de lei e que gostaria de ver o trabalho social que a entidade tem feito.

"Essa casa não pode ter preconceito", disse Valdir Gomes reforçando que a medida poderia estar 'enroscada' porque se tratar de religião diferente. "É de cunho social de negros, meu voto é sim com louvor", completa. Coronel Alírio Villasanti (PSL) afirmou que, 'apesar de ser católico', respeita todas as religiões e presume a boa fé do autor da medida, vereador Delei Pinheiro (PSD), e da instituição, apesar de não conhecê-la.

Ronilço Guerreiro (Podemos) também reforçou que toda associação que faz o bem, merece respeito. "Diálogo é fundamental, existem igrejas e centros espíritas que fazem excelente trabalho". Para o vereador Papy (SD), 'não cabe debate religioso'. Ele votou a favor e explicou que Clodoilson pediu vistas por questão documental.

Além dele, Gilmar da Cruz votou contra. "Gostaria de ver o projeto, analisa-lo, vendo o trabalho social da entidade, eu votaria tranquilo, gostaria que todos compreendesse meu voto não é de cunho religioso, mas porque gostaria de conhecer, pra votar com convicção".

"O projeto chega na Câmara, ele é dado leitura, quando isso acontece, é publicado no diario oficial, desde 3 de março está publicado, se não tem os documentos, cabe a assessoria do vereador procurar. Não foi votado no afogadilho", concluiu a discussão o presidente Carlão (PSB).

Jornal Midiamax