Política

Mesmo Câmara aprovando repúdio contra ministro da CGU, Tiago Vargas chama Simone Tebet de ‘descontrolada’

Simone Tebet foi chamada de 'descontrolada' por Wagner Rosário durante apresentação na CPI

Dândara Genelhú e Mayara Bueno Publicado em 23/09/2021, às 14h07

Foram 15 votos favoráveis à moção e seis contrários.
Foram 15 votos favoráveis à moção e seis contrários. - Foto: Reprodução | Redes socais.

Na sessão desta quinta-feira (23), a Câmara de Campo Grande aprovou moção de repúdio contra o ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Wagner Rosário, que agrediu verbalmente a senadora Simone Tebet (MDB) na terça-feira (21). Mesmo assim, o vereador Tiago Vargas (PSD) usou a palavra para expor a situação ocorrida na CPI e chamar a parlamentar de ‘descontrolada’.

A moção foi aprovada por 15 votos favoráveis e seis contrários. Sendo que foi proposta após o ministro causar episódio machista contra a senadora sul-mato-grossense, durante sessão da CPI da Covid.

Tiago iniciou a fala dizendo que “muito tem se falado do machismo, ‘ele é machista’, todo mundo adora dizer quem é machista”. Assim, questionou sobre o depoimento da oncologista Nise Yamaguchi na CPI, afirmando que não foi feita moção de repúdio contra o ocorrido.

Após colocar o áudio da última fala da apresentação da senadora, Tiago fez o mesmo comentário de Wagner. “A senadora, descontrolada, vocês conseguiram ouvir aí?”, questionou sobre a gravação. “Só porque ela é uma mulher, ela pode falar o que ela bem entender? O que vem na cachola dela e não pode ouvir verdades?”, continuou.

Apesar do episódio, a Câmara foi favorável à moção. O vereador Tabosa (PDT) destacou que a senadora “estudou para a sessão, estudou todos os contratos e o ministro não estava preparado. É uma mulher guerreira, capacitada, ela travou o Wagner Rosário. Ele não aguentou e a agrediu”.

A vereadora Camila Jara (PT) lembrou que termos como ‘descontrolada’ e ‘histérica’ são utilizados há muito tempo para deslegitimar o discurso firme de uma mulher. “O que aconteceu na sessão é muito grave, porque tentam mostrar que não somos capazes. Não vão nos calar e nós somos lúcidas”.

Coronel Alírio Villasanti (PSL) afirmou que assuntos nacionais estão ficando chatos na Câmara. “Ataque sistemático por pessoas que fazem parte de partidos alvos de escândalos. O ministro foi atacado e já pediu desculpas à parlamentar. Chega de debates inócuos”, defendeu. Já o professor André Luis (Rede) votou sim pela “representatividade dela [Simone] como mulher, a situação vexatória pela qual passou e a falta de nível do ministro do CGU”.

Relembre o caso

A sessão da CPI da Covid da terça-feira (21) precisou ser suspensa após o ministro da CGU pedir para a senadora sul-mato-grossense reler o processo e apontar que ela defendia “inverdades”. Ao se defender, Simone foi chamada pelo ministro de “descontrolada”.

Durante o final da apresentação na CPI, a senadora lamentou “o papel que vossa excelência está fazendo, o desserviço para o país. Vossa excelência não é advogado do presidente da República, não é advogado do ministro da Saúde”.

Após o término da defesa da senadora, Wagner fez um minuto de silêncio e respondeu pedindo que Simone refizesse o próprio trabalho. “Com todo respeito à senhora, eu recomendo que a senhora leia tudo de novo, porque a senhora falou uma série de inverdades aqui”.

Com a fala do ministro, a senadora afirmou que a apresentação não poderia ser apontada como inverdade. Foi neste momento que o ministro apontou Simone como “descontrolada”. Outros parlamentares saíram em respeito de Simone Tebet, acusando Wagner de machismo durante o depoimento.

Jornal Midiamax