Política

Fome e aumento dos combustíveis em MS: Deputados criticam governo federal na Assembleia

Corrêa disse que União está 'emburrecendo' a população e que MS investiu em educação

Dândara Genelhú Publicado em 26/10/2021, às 12h02

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Foto: Reprodução.

Nesta terça-feira (26), deputados estaduais de Mato Grosso do Sul utilizaram o momento de explicações pessoais para criticar o governo federal. O debate foi gerado no mesmo dia em que os combustíveis sofreram aumento e o litro da gasolina chega a R$ 6,62 em Campo Grande. Valor que pode ser ainda mais alto no interior do Estado.

Iniciando o debate, o deputado Amarildo Cruz (PT), destacou que “todos os índices econômicos e sociais mostram a tragédia instalada no Brasil”. Assim, afirmou ser necessário abordar e repercutir o aumento dos combustíveis, fome e falta de habitações.

“Hoje tem reajuste do combustível, 19 milhões de pessoas do nosso país estão na miséria, com fome”. O deputado também entrou na questão de habitação e citou que o número de favelas dobrou na Capital do Estado. “São 2 mil famílias em Campo Grande instaladas em favelas. Coisas que já tinham desaparecido aqui na nossa cidade há anos atrás”.

Para o parlamentar, o déficit “habitacional está crescendo todos os dias, por causa dessa catástrofe que nós estamos vivendo”. Sobre o aumento no custo de vida e do transporte, Amarildo apontou que moradores de cidades de MS chegam a atravessar a fronteira com a Bolívia e Paraguai para comprar combustível mais barato.

Isso é “fruto de uma política desastrosa da Petrobras e do Governo Federal”, afirmou o deputado, que também citou o resultado da CPI da Pandemia. “Mesmo com o indiciamento, não vemos uma interrupção direta desse governo”, disse. Finalizou questionando se “isso não comove o país? Isso não comove as autoridades? Até que ponto vamos assistir esse desastre?”.

Brasil ‘emburrecido’

Para o deputado Paulo Corrêa (PSDB), a educação é outro ponto delicado no cenário do governo federal. O presidente da Alems citou que o programa MS+ Alfabetiza aponta que 70% dos alunos de 7 anos de idade não sabem ler e nem escrever.

“Não sabem fazer conta de somar, de diminuir, de multiplicar e muito menos de dividir”, disse o presidente da Alems. “Entendi que o Brasil está emburrecendo, gente que não sabe ler é analfabeto. Estamos tocando o dedo na ferida do jeito que tem que tocar”, destacou.

Ele apontou que “o governador separou dinheiro do orçamento do Estado, para auxiliar na alfabetização de todas as prefeituras municipais”. O programa teve adesão dos 79 municípios do Estado, segundo Corrêa.

Com apoio de organizações não governamentais, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) desenvolveu a possibilidade de premiar a escola que mais e a que menos alfabetiza, de todas as escolas municipais do Estado que se inscreverem. O deputado explica que o programa “premia as melhores porque tiveram os melhores índices de alfabetização, mas premia as piores para capacitar os professores que por acaso podem não estar sabendo alfabetizar as crianças”. Assim, ressalta que o programa tem relevância no cenário brasileiro atual, pois tem “grande alcance social”.

Fila de espera

A situação exposta pelo deputado Pedro Kemp (PT) foi sobre a fila de espera para serviços do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). “O INSS hoje não consegue dar conta da demanda de benefícios que estão à espera de providências”, iniciou.

Segundo ele, estão atrasados processos de licença saúde, pensões e aposentadorias. “As pessoas ficam esperando quase seis meses para realizar uma perícia, que dificulta o acesso ao benefício financeiro”.

Para ele, isso se deve à falta de quadro de funcionários. “Nesse governo foram esvaziados, sucateados os setores do INSS. Não realizando mais concursos públicos para substituir o quadro de funcionários, além de ter priorizado a entrada de militares, sem capacidade técnica para executarem os serviços específicos de técnicos e analistas previdenciários”, detalhou.

São 1,9 milhão de requerimentos de benefícios que aguardam providências e estão com análise em pendências, apontou o deputado. Assim, disse que “não tem uma área neste governo em que podemos dizer que há pessoal competente para tocar o serviço”.

Por fim, ele afirmou que a situação do INSS foi a escolhida para esta terça-feira (26). “Mas poderia citar a situação do Incra, que não existe mais, da Funai, que não existe mais, ou a situação do Ibama, que está sendo esvaziado nas suas funções de proteção ao meio ambiente”.

Jornal Midiamax