Política

Camburão da polícia e atraso marcam início de eleição na União das Câmaras de MS

Confusão começou porque um dos candidatos tentou incluir lista para votação, que já começou com presidente afastado

Mylena Rocha e Mayara Bueno Publicado em 22/09/2021, às 09h37

Houve tumulto e atraso no início da votação nesta manhã.
Houve tumulto e atraso no início da votação nesta manhã. - Marcos Ermínio/Midiamax

A eleição para a União das Câmaras de Vereadores de Mato Grosso do Sul acontece nesta quarta-feira (22) e conta com duas chapas na disputa pela diretoria. O pleito eleitoral já começou com atraso e confusão entre os vereadores nesta manhã, marcada também pela presença de policiais. Após tumulto, os militares devem acompanhar o movimento, embora quem está por lá garanta que a presença deles é algo de rotina nestes eventos.

Uma das chapas que concorre à diretoria é encabeçada pelo vereador Jeovani Vieira (PSDB), de Jateí. O vereador é ex-presidente da União da Câmara, cujo mandato encerrou no dia 31 de março. Como na época não houve eleição por conta da pandemia, a secretária executiva é quem deveria assumir, mas o vereador teria se recusado a sair do cargo. 

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Vereador diz que saiu da presidência ao fim do mandato e nega que tenha sido afastado. (Foto: Marcos Ermínio)

Ele chegou a procurar a Justiça, pedindo prorrogação do mandato por mais sete meses, mas a decisão foi pela saída dele nada data regular. Em entrevista ao Jornal Midiamax, Jeovani negou que tenha sido afastado da diretoria da União das Câmaras, confirmando apenas que seu período à frente encerrou em março e que a secretaria Sheila Carvalho assumiu a partir de então. 

A outra chapa na disputa pela diretoria é presidida pelo vereador Gilson Oliveira Ferreira, também conhecido como Bicão (MDB), de Aral Moreira. O candidato a vice-presidente é o vereador Júnior Coringa (PSD) e a chapa traz como principal proposta a transparência de dados e a criação de uma comissão voltada às vereadoras, com foco em criar mais políticas públicas para mulheres vítimas de violência no Estado. 

A confusão a respeito da eleição começou logo cedo, quando houve um atraso de pelo menos 35 minutos. O informado foi que a votação começaria às 8h — tanto que pelo menos três vereadores chegaram no horário e relataram que a entrada nas cabines ainda não estava permitida. 

Também houve tumulto quanto à inclusão de votantes. Segundo apurado, o grupo do ex-presidente quis incluir lista individual de vereadores que poderiam votar. Pelo estatuto da União das Câmaras, somente podem votar os vereadores de câmaras filiadas e membros fundadores. Depois do ocorrido, por volta das 8h30, a entrada foi liberada. 

A votação segue até as 17 horas nesta quarta-feira (22) e, às 19h, recursos que ambas chapas apresentaram, com vistas à impugnação, serão analisados pela comissão organizadora da eleição, presidida pelo vereador de Campo Grande Coronel Alírio Villasanti (PSL).

Vereador Bicão, candidato a presidente da União dos Vereadores

Pedido de porrogação

Enquanto Jeovani estava na presidência, a União das Câmaras de Vereadores entrou com ação na Justiça, em março deste ano, pedindo autorização para prorrogar o mandato por mais sete meses, alegando que decretos do Governo do Estado e de Campo Grande barraravam, na ocasião, assembleias com público, que devem ser feitas para definição de novo dirigente, por causa do agravamento da pandemia.

A Justiça negou porque, além de não encontrar base para decidir liminarmente, indicou que o Estatuto Social da União prevê que, em vacância da diretoria, a direção provisória ficará a cargo do secretário executivo. 

Houve tumulto para início da votação. (Foto: Marcos Ermínio)

Jornal Midiamax