Política

De vacinação em Campo Grande a Bolsonaro: sessões na Câmara Municipal têm tido discussões acaloradas

Presidente da Casa de Leis encerrou a discussão dizendo para deixar debate eleitoral para o próximo ano

Mayara Bueno Publicado em 11/05/2021, às 12h02

Plenário da Câmara Municipal de Campo Grande
Plenário da Câmara Municipal de Campo Grande - (Foto: Reprodução/Facebook)

Vereadores de Campo Grande têm protagonizado discussões acaloradas durante as sessões ordinárias, agora presenciais - o que parece facilitar a reação mais rápida quando um parlamentar se sente provocado ou quer responder a polêmica levantada pelo colega. Nesta terça-feira (11), por exemplo, o assunto começou na cidade, sobre a vacinação de professores, e chegou em Brasília, no negacionismo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) - nas palavras do vereador Marcos Tabosa (PDT).

Tabosa disse nesta manhã que há professores que estariam se negando a tomar vacina contra Covid-19 - a imunização da categoria tem sido reivindicada desde o início. "Por que isso acontece? Porque nós temos um presidente da República que é negacionista, incentiva as pessoas a não vacinarem, a não usarem mascara, incentiva o povo brasileiro a morrer, e têm pessoas que compram esta ideia". Para ele, é preciso criar mecanismo para registrar quem não quer vacinar, entre os professores. "Não que vacinar, mas vai voltar? vão deixar entrar na sala de aula? Isso é sério".

"Tem vereadores que faltam com a verdade. Não podemos pegar o microfone dizendo sobre quem não quer vacinar", disse o vereador Tiago Vargas (PSD) que completou o discurso dizendo que Bolsonaro assinou Medida Provisória destinando R$ 5,5 bilhões para produção e aquisição de vacinas. Disse ao colega do PDT, ainda, que a eleição foi em novembro, portanto, campanha eleitoral já terminou.

Otávio Trad, do mesmo partido, disse, inicialmente, que as pessoas que assim optam estão no direito de não se vacinarem, mas corrigiu a informação no fim da sessão, dizendo que o STF (Supremo Tribunal Federal) dicidiu, no fim do ano passado, que a vacinação compulsória pode ser constitucional.

Professor, o vereador Valdir Gomes (PSD) se incomodou com a fala de Tabosa, uma vez que levanta sempre a bandeira dos profissionais da educação, para que sejam incluídos mais rapidamente no programa de imunização. "Eu não quero saber de Bolsonaro, eu moro em Campo Grande, o prefeito é Marquinhos. Se ele está dando condição de vacinar, os professores vão vacinar. Não podemos brincar com coisa séria. Não quero saber de Bolsonaro em Brasília", respondeu.

Em seguida, o vereador Airton Araújo, do PT, aproveitou a deixa de Marcos Tabosa para responder Tiago Vargas. "Não adianta assinar R$ 5 bilhões se não tem insumo. Tem que parar de conversinha, que é o que este presidente faz". Para encerrar o assunto, presidente da Casa de Leis, disse para 'deixar este debate para o ano que vem' - num sinal de que o que está havendo ali é prévia das eleições 2022.

Jornal Midiamax