Política

Para maioria da bancada federal de MS, saldo de manifestações é ruim para Bolsonaro

Confira o que dizem deputados e senadores de Mato Grosso do Sul

Marcelo Nantes Publicado em 08/09/2021, às 13h44

Senadores e deputados do MS analisam manifestações do Dia da Independência
Senadores e deputados do MS analisam manifestações do Dia da Independência - Arquivo

Embora as manifestações do 7 de Setembro, em Campo Grande, tenham ocorrido de forma ordeira, o quadro político-eleitoral no Mato Grosso do Sul pode sofrer alterações importantes no decorrer das próximas semanas em razão dos discursos do presidente Jair Bolsonaro. Pelo menos esta foi a avaliação da maioria dos integrantes da bancada federal do Estado no Congresso Nacional.

A senadora Simone Tebet (MDB) considera que os apelos favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro foram pacíficos e contaram com a presença de um público que já era esperado. Mas, para ela, o presidente “usurpou de suas prerrogativas”. “Ele usou aparato estatal em discurso eleitoral e instigou as ruas contra ministro do Supremo. Ameaçou descumprir ordem judicial. Crime de responsabilidade não falta”, afirmou a senadora.

O senador Nelsinho Trad, líder do PSD no Senado, informou por meio de nota que o partido — responsável por significativa sustentação ao Palácio do Planalto no Congresso — instalou uma comissão para acompanhar os desdobramentos dos protestos deste Dia da Independência. 

De acordo com o parlamentar, o PSD está atento a possíveis “ameaças proferidas por Jair Bolsonaro contra o Estado Democrático de Direito”. Uma reunião virtual com o líder do PSD na Câmara, Antonio Brito (BA), e com o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, foi realizada após os discursos de Bolsonaro em Brasília e em São Paulo. Novas reuniões presenciais estão previstas para a próxima semana, na sede do partido, na Capital.

Também por meio de nota, a senadora Soraya Thronicke limitou-se a comentar o comportamento dos apoiadores do presidente. “Respeito a liberdade de expressão dentro dos limites legais e as manifestações de rua, pois sou fruto disso. Os brasileiros estão, aos poucos, amadurecendo politicamente, tudo cresce passo a passo e todos os estágios são importantes. Nossa população é naturalmente e majoritariamente pacifista e eu, sinceramente, não esperava outra atitude nas ruas. Espero que sigamos nesta direção de respeito mútuo e defesa da democracia”.

Avaliação na Câmara dos Deputados

O deputado Dr. Luiz Ovando (PSL) participou da manifestação em Campo Grande. Ele se diz satisfeito com a demonstração de apoio e com a popularidade de Jair Bolsonaro na cidade. 

Sobre o pronunciamento do presidente, que desafiou as determinações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o parlamentar citou o provérbio 13:3, da Bíblia (Aquele que guarda as suas palavras salva a si mesmo; enquanto que aquele que fala livremente destrói a si mesmo), e a terceira lei de Newton (Princípio da Ação e Reação) para defender o posicionamento de Bolsonaro.

“Quero crer que esta quebra constitucional já aconteceu. O presidente sofreu mais de 100 ações do Supremo, agora ele está reagindo. Ele tinha que falar”, ponderou. 

Para o deputado Dagoberto Nogueira (PDT), o presidente da República pode estar reconhecendo que a própria reeleição corre grande risco. “Está claro que todo este esforço do Bolsonaro em desmoralizar o STF e os poderes constituídos tem motivo. Ele não aceita uma possível derrota nas urnas ano que vem. Espero que o empenho dele para mobilizar seus apoiadores seja o mesmo para diminuir o preço do combustível, do gás, da energia e dos alimentos”, provocou o pedetista.

Por outro lado, o deputado Vander Loubet (PT) avalia que o saldo para Jair Bolsonaro foi positivo. Para o petista, embora as ruas tenham reunido menos manifestantes do que o esperado, o presidente ganhou fôlego para manter o diálogo com a base de sustentação no Congresso. Loubet acredita que o cenário ainda é bem mais favorável para a candidatura do ex-presidente Lula.

“Para nós, reforça que cada vez mais se descarta a possibilidade de uma terceira via. A rejeição a Bolsonaro ainda é grande, acho que a eleição do ano que vem será de um turno só. O cenário é ótimo para nós. Estrategicamente, a polarização não é ruim”, declarou o deputado. 

Fábio Trad, do PSD, interpreta que os cenários local e nacional para 2022 são imprevisíveis. Segundo ele, a situação “que já era grave ficou gravíssima”. “Impossível especular porque não se sabe até que ponto este impasse vai se estender. Não descarto nem mesmo uma ruptura, caso o Congresso e o Judiciário se acovardem”, analisa. 

O tucano Beto Pereira (PSDB), que ocupa o cargo de Secretário-Geral do partido, preferiu não se manifestar antes do encerramento da reunião virtual da Executiva Nacional do PSDB, marcada para o início da tarde desta quarta (8).

As deputadas Bia Cavassa e Rose Modesto e o deputado Loester Trutis, embora procurados pela reportagem do Midiamax, não se pronunciaram até o fechamento desta edição.

Jornal Midiamax