Política

“Irresponsável”: bancada federal de MS reprova mudanças de dados do Ministério da Saúde

"Irresponsável", "trágica" e "manipulação" foram algumas das palavras usadas para definir a nova forma de acompanhamento da doença no país.

Dândara Genelhú Publicado em 08/06/2020, às 18h07 - Atualizado às 18h16

Desde a atualização do portal do Ministério da Saúde, apenas os dados diários de coronavírus são divulgados. Antes era possível ter uma visão geral sobre os dados estatísticos desde o início da pandemia. Foto: Arquivo Midiamax | Print Realizado em 08/06...
Desde a atualização do portal do Ministério da Saúde, apenas os dados diários de coronavírus são divulgados. Antes era possível ter uma visão geral sobre os dados estatísticos desde o início da pandemia. Foto: Arquivo Midiamax | Print Realizado em 08/06... - Desde a atualização do portal do Ministério da Saúde, apenas os dados diários de coronavírus são divulgados. Antes era possível ter uma visão geral sobre os dados estatísticos desde o início da pandemia. Foto: Arquivo Midiamax | Print Realizado em 08/06...

Após mudanças na forma de divulgação de dados de coronavírus no Brasil, deputados federais de Mato Grosso do Sul reprovam a atualização do Ministério da Saúde. “Irresponsável”, “trágica” e “manipulação” foram algumas das palavras usadas para definir a nova forma de acompanhamento da doença no país.

No último domingo (07), o Ministério informou os dados de Covid-19 passarão a ser disponibilizados em uma plataforma com casos e mortes por data de ocorrência e de forma regionalizada. “O uso da data de ocorrência (e não da data de registro) auxiliará a se ter um panorama mais realista do que ocorre em nível nacional”, informa o texto oficial.

Para o deputado federal Fábio Trad (PSD), a nova forma de disponibilização dos dados é trágica. “A política do governo federal de combate à pandemia é desastrada. Agora vem esta mudança de método que só tende a atrapalhar a metodologia de informação para subsidiar as decisões sobre o melhor caminho para se combater a doença. Enfim, trágica esta mudança”.

Trad ainda lembrou sobre o comando do Ministério da Saúde, que está sendo realizado pelo o general Eduardo Pazuello, que não possui formação em Medicina. “O Ministro não entende de saúde pública e as áreas técnicas estão desfalcadas com a saída de vários quadros”.

Já Dagoberto Nogueira (PDT), considera a mudança irresponsável e ressaltou sobre a falta de mortes diárias nos boletins é uma atitude autoritária, chegando a citar o período de ditadura militar. “Quanta irresponsabilidade, não se via isso desde a Ditadura Militar. A manipulação de estáticas é manobra dos regimes totalitários. Tenta se controlar os dados do coronavírus para se reduzir o controle social das políticas de saúde. O truque não vai isentar a responsabilidade do eventual genocídio”, afirmou o deputado federal.

Também na bancada federal de Mato Grosso do Sul, Vander Loubet (PT) acredita que a nova forma de divulgação dos dados é uma forma de manipulação de dados. “Essa mudança nada mais é do que uma forma de manipulação. E como bem disse o ministro Gilmar Mendes, do STF, a manipulação de estatísticas é uma manobra típica de regimes totalitários. Ou seja, mais uma vez o presidente Bolsonaro e seu governo demonstram a sanha pelo autoritarismo”.

O deputado federal atribui o alto número de mortes ao Governo atual e destaca que a “mudança na divulgação dos dados da Covid-19 não vai isentar o governo federal da responsabilidade”. Loubet citou ainda exemplos de países que fazem fronteira com o Brasil e as medidas implantadas pelos governos. Para ele, se o Governo Federal estivesse “preocupado com a pandemia e suas consequências, o número de infectados e mortos poderia ser menor, a exemplo dos países que tem adotado as medidas devidas, como é o caso da nossa vizinha Argentina”.

Jornal Midiamax