Política

Em meio a denúncias, Governo troca comando do Detran-MS

O Governo do Estado anunciou a troca no comando do Detran-MS (Departamento de Trânsito do Estado de Mato Grosso do Sul), que a partir da próxima segunda-feira (9) passará a ser chefiado pelo atual diretor-presidente da MSGás, Rudel Trindade. A mudança é feita pouco mais de um ano após o atual diretor-presidente, Luiz Carlos da […]

Danúbia Burema Publicado em 05/03/2020, às 17h51 - Atualizado em 06/03/2020, às 13h19

(Foto: Divulgação)
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O Governo do Estado anunciou a troca no comando do Detran-MS (Departamento de Trânsito do Estado de Mato Grosso do Sul), que a partir da próxima segunda-feira (9) passará a ser chefiado pelo atual diretor-presidente da MSGás, Rudel Trindade. A mudança é feita pouco mais de um ano após o atual diretor-presidente, Luiz Carlos da Rocha Lima, trocar a administração da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) pelo órgão, em gestão que acabou desgastada por uma série de denúncias. 

Em meio a denúncias, Governo troca comando do Detran-MS
Luis Carlos Rocha assumirá cargo de articulador político no Governo do Estado. (Divulgação)

Com a saída, Rocha ocupará o cargo de assessor especial no Escritório de Gestão Política de Mato Grosso do Sul. Conforme o Governo do Estado, a mudança é resultado de um ‘rearranjo’ em função da morte do assessor especial e ex-prefeito de Amambai, Dirceu Lanzarini, assassinado a tiros no dia 24 de fevereiro, por funcionário de sua propriedade rural.

Engenheiro civil com especialização em trânsito, Rudel assumiu o comando da MSGás em janeiro de 2015. No currículo, ele acumula experiência como chefe do Detran-MS de 1995 a 1998. Também já presidiu a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) no segundo mandato do prefeito Nelsinho Trad, de 2009 a 2012.

Rudel é natural de Aquidauana (MS) e possui mestrado e doutorado em Engenharia de Transporte pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Com sua saída da direção da MSGás, assumirá o atual diretor de Administração e Finanças, Rui Pires dos Santos – cujo nome ainda precisará ser aprovado pelo Conselho Deliberativo da estatal.

Em meio a denúncias, Governo troca comando do Detran-MS
Rudel já comandou Detran-MS na década de 90. (Foto Sejusp)

“Em Mato Grosso do Sul temos 1,6 milhão de veículos e 1,1 milhão de condutores habilitados. É um universo grande e a determinação do governador é de buscar a excelência no atendimento, com foco forte na digitalização dos serviços para facilitar o acesso dos clientes, dar agilidade e reduzir custos”, adiantou Rudel sobre o enfoque de sua gestão. De acordo com ele, outra prioridade será melhorar a infraestrutura do órgão, oferecendo mais postos de atendimento, além de atuar em conjunto com os municípios para reduzir o número de acidentes.

Emplacamento

A polêmica mais recente envolvendo a atual gestão do Detran-MS foi o credenciamento de empresas de emplacamento veicular, credenciadas para oferecer a nova placa do Mercosul. O órgão chegou a cobrar R$ 500 mil de ‘pedágio’ das participantes, o que reduziu a concorrência e resultou no oferecimento do serviços a um dos custos mais caros do País.

Em abril do ano passado, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) deflagrou a Operação Vistoria, para apurar indícios dos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica no órgão. Os trabalhos mostraram ainda que ex-gestores seriam proprietários de empresas credenciadas para os serviços de inspeção veicular.

A postura do Detran-MS foi a de se calar diante das denúncias. Além da solicitação em relação à Operação Vistoria, o Detran-MS ignorou outras quatro demandas feitas solicitando posicionamento sobre os casos – uma delas em relação a denúncia de fraude ocorrida no pátio do departamento, quando veículo reprovado por uma credenciada conseguiu ser aprovado posteriormente, por servidores. Denúncia de que um suposto funcionário do órgão estadual estaria comercializando CNH (Carteira Nacional de Habilitação) em grupos de WhatsApp também não foi sequer desmentida. E, por fim, pedido de suspensão de duas ECVs envolvidas na Operação Vistoria também acabou sem resposta.

Jornal Midiamax