Política

Candidatos a prefeito distribuíram R$ 1 milhão do ‘fundão’ em Campo Grande, alvo de disputas internas

Ao menos seis concorrentes à prefeitura figuram como doadores de recursos do "fundão" eleitoral e do fundo partidário a outros candidatos.

Jones Mário Publicado em 04/11/2020, às 08h29 - Atualizado às 15h32

Candidatos a prefeito que movimentaram fundos eleitoral e partidário para postulantes à Câmara (Fotos: Reprodução/Facebook)
Candidatos a prefeito que movimentaram fundos eleitoral e partidário para postulantes à Câmara (Fotos: Reprodução/Facebook) - Candidatos a prefeito que movimentaram fundos eleitoral e partidário para postulantes à Câmara (Fotos: Reprodução/Facebook)

Na condição de doadores, candidatos a prefeito de Campo Grande nestas eleições já distribuíram R$ 1,029 milhão entre os concorrentes à Câmara de Vereadores de seus partidos, de acordo com a primeira parcial de prestação de contas divulgada pela Justiça Eleitoral. A maior parte do valor, R$ 995,7 mil, veio dos fundos eleitoral e partidário.

Os critérios para distribuição do dinheiro podem variar de legenda para legenda. Essa definição costuma ser alvo de disputas internas entre os nomes na corrida pelo Legislativo. Ontem (29), a candidata pelo PT Karla Cânepa foi à polícia após discussão com Pedro Kemp, que disputa a prefeitura, sobre o fatiamento da verba pelo partido.

Segundo dados da Justiça Eleitoral, Kemp reservou R$ 228,3 mil em recursos dos fundos eleitoral e partidário para distribuir entre 41 candidatos a vereador pelo PT. Professor Gilvano e Professor Francisco devem receber pelo menos R$ 8 mil cada. Já Ayrton Araújo, candidato à reeleição, deve ficar com o menor pedaço do bolo – R$ 3,6 mil.

Karla Cânepa, por outro lado, não está na lista de doações de Pedro Kemp.

Mais doações

Dagoberto Nogueira (PDT) é o candidato que mais doou: R$ 488,7 mil a 41 concorrentes à Câmara. Tudo oriundo do fundo eleitoral. Do total, R$ 40 mil foi destinado à Abelha, maior beneficiado pelo pedetista. Os candidatos Afonso Teixeira, Cida, Claudineia Carvalho e Maurício Viola foram os que menos receberam, com R$ 2,5 mil cada.

Marcio Fernandes distribuiu R$ 168 mil em dinheiro dos fundos eleitoral e partidário entre 20 candidatos. Wilson Sami, Paulo Rios, Dr. Loester e Elizeu Dionízio “morderam” a maior parte, com R$ 20 mil cada. Outros 11 nomes tiveram direito a R$ 3 mil cada, menor valor doado pelo emedebista.

Marcelo Miglioli (SD) reservou R$ 83,3 mil para 36 candidatos. O valor vem dos fundos eleitoral e partidário, além de R$ 2,3 mil em “outros recursos”. Sozinho, o postulante à reeleição Papy recebeu R$ 52,3 mil. Além dele, João Jacaré (R$ 20 mil) e João Bosco de Medeiros (R$ 12,3 mil) foram os únicos com doações distintas. Os demais 33 nomes ficaram com R$ 2,3 mil cada.

Marcelo Bluma (PV) doou R$ 27,4 mil do fundo eleitoral entre 16 concorrentes do partido. O principal beneficiado é Jurandir, candidato a prefeito de Caarapó, com R$ 4 mil. Outros 14 nomes indicados à Câmara Municipal receberam R$ 1,5 mil cada.

Já Vinicius Siqueira (PLS) repartiu R$ 2,3 mil do fundo eleitoral com dois candidatos a vereador da Capital – R$ 1,3 mil a Israel Corrêa e R$ 970 a Maurício Celestino.

Outros recursos

Os concorrentes à prefeitura Esacheu Nascimento (Progressistas) e Paulo Matos (PSC) também figuram como doadores, mas não envolveram recursos dos fundos públicos.

Esacheu reservou R$ 16,5 mil para 11 candidatos a vereador, com R$ 1,5 mil para cada.

Já Paulo Matos dividiu R$ 15,3 mil entre 27 concorrentes ao Legislativo de Campo Grande. Pr. Luciano, com R$ 900, recebeu a maior fatia. Outros seis candidatos ficaram com R$ 340 cada.

Os candidatos que não foram citados não figuram como doadores na Justiça Eleitoral.

Candidatos a prefeito distribuíram R$ 1 milhão do ‘fundão’ em Campo Grande, alvo de disputas internas
Recursos repassados por candidatos a prefeito de Campo Grande, conforme a Justiça Eleitoral (Gráfico: Reportagem)

Financiamento de campanhas

Os fundos eleitoral e partidário são as principais fontes de financiamento de campanhas no País. O primeiro, oficialmente batizado de FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), foi criado em 2017, impulsionado pela proibição pelo STF (Supremo Tribunal Federal) das doações de empresas.

Os recursos que constituem o fundo eleitoral saem do orçamento da União. Este ano, R$ 2,034 bilhão foram reservados aos partidos. Com as maiores bancadas na Câmara dos Deputados, PT (R$ 201 milhões) e PSL (R$ 199 milhões) ficaram com a maior parte. Novo e PRTB abriram mão do que tinham direito.

Já o fundo partidário foi instituído em 1995 e serve para financiar, além de campanhas eleitorais, despesas de custeio das siglas. Formada por verbas do orçamento, multas eleitorais e doações aos partidos, a verba é distribuída anualmente. São R$ 959 milhões em 2020.

Jornal Midiamax