Política

Vereadores de Campo Grande fazem moção contra especial de Natal do Porta dos Fundos

Os vereadores de Campo Grande decidiram aprovar nesta terça-feira (17), por 15 votos a favor e 4 contrários, uma moção de repúdio contra o especial de Natal do Porta dos Fundos, que é transmitido pela Netflix. Após discutirem por mais de uma hora, os vereadores Betinho (Republicanos), William Maksoud (PMN), Junior Longo (PSB), Eduardo Cury […]

Evelin Cáceres Publicado em 17/12/2019, às 12h41 - Atualizado às 13h02

Moção foi aprovada nesta terça (Mayara Bueno, Midiamax)
Moção foi aprovada nesta terça (Mayara Bueno, Midiamax) - Moção foi aprovada nesta terça (Mayara Bueno, Midiamax)

Os vereadores de Campo Grande decidiram aprovar nesta terça-feira (17), por 15 votos a favor e 4 contrários, uma moção de repúdio contra o especial de Natal do Porta dos Fundos, que é transmitido pela Netflix. Após discutirem por mais de uma hora, os vereadores Betinho (Republicanos), William Maksoud (PMN), Junior Longo (PSB), Eduardo Cury (sem partido) e André Salineiro (PSDB), autor da proposta, assinaram a nota contra a comédia que satiriza a história de Jesus Cristo, segundo os parlamentares.

Votaram contra os vereadores Dr. Lívio (PSDB), Enfermeiro Fritz (PSD), Otávio Trad (PTB) e Eduardo Romero (Rede). Salineiro usou a tribuna para criticar o filme, classificado como comédia pelo serviço de streaming. “Trouxe como objeto Jesus bêbado e homossexual. Fez mentiras e blasfêmias. Isso é fazer piada debochando de outras pessoas  e religiões. E não é a primeira vez que o Fábio Porchat e o Gregório Duvivier protagonizam esse atos. Em 2018 já tinham feito especial com Jesus bêbado”, disse.

O vereador disse acreditar que o posicionamento do canal Porta dos Fundos é controverso. “Quando tiraram sarro do Fábio Assunção por questões do alcoolismo dele, eles fizeram nota contra. Mas contra Jesus pode isso?”, questionou. O parlamentar disse, ainda, que propôs a nota por uma questão de consciência.

“Jesus não precisa de defesa, mas a minha consciência me cobraria [ a moção]”.

Eduardo Romero (Rede) disse concordar com o debate em relação a falta de respeito, mas que discordava de qualquer tentativa de censura. “A Netflix oferece um serviço para quem deseja, assina e quer assistir. O que eu tenho medo é que em nome da fé a gente possa ter uma ditadura religiosa. É justo trazer o assunto, mas a liberdade de expressão deve ser preservada, inclusive nas casas de Lei, e não atacada. Eu me assusto com o pensamento fundamentalista que tem se criado no Brasil”, defendeu.

Pastor Jeremias (Avante), revelou que havia se consultado com seu pastor sobre levar o assunto para ser debatido na Câmara, mas foi orientado a ficar em silêncio. “Como o assunto foi trazido, eu vou comentar. Também deixo a minha posição de repúdio. A liberdade tem que ir até onde o outro não se sinta agredido”, disse.

Dr Wilson Sami (MDB) falou que geralmente as pessoas agridem o que lhes incomoda. “Pode ter sido só piada, mas vejo sinais de antirreligiosidade. Eu olho pelo âmbito psicológico e vejo que geralmente as pessoas agridem aquilo que lhes incomoda, como a luz, a ética”, criticou.

Eduardo Cury chamou o especial de porcaria. “Vou me abster de falar sobre a religiosidade, mas as pessoas andam chamando de arte o que não é. Quem sabe fazer arte não faz essa porcaria”.

Dr Lívio disse não concordar com o repúdio. “Vejo muita gente ressaltando valores cristãos e essas mesmas pessoas não agindo dessa forma. A tentativa de retirar o vídeo é muitas vezes proposta por aqueles que se elegeram com valores cristãos, eleitores que preconizam isso, e esses que propõe pouco praticam. Fazem obras que não necessariamente são bem vistas aos olhos de Jesus. Nós temos, por exemplo, um governante máximo que prega assassinato. Vai na Marcha para Jesus e faz arminha com a mão. Isso me faz questionar a postura de repudiar o programa”, ponderou. 

Betinho afirmou que se em uma igreja fizessem um teatro ‘ridicularizando a comunidade LGBT seria um absurdo’. “Eu também seria contra. Assim como também sou contra esse programa infeliz que eu vou repudiar”.

Gilmar da Cruz (Republicanos) disse que o programa ofendeu a 86% dos brasileiros, considerados cristãos. Aprovara, a moção os vereadores André Salineiro, autor da proposta, Antonio Cruz (PSDB), Valdir Gomes (PP), Junior Longo (PSB), Veterinário Francisco (PSB), Wison Sami (MDB), Carlão (PSB), Ademir Santana (PDT), Dharleng Campos (PP), Gilmar da Cruz (Republicanos), Pastor Jeremias (Avante), William Maksoud (PMN), Cida Amaral (Pros), Eduardo Cury, Vinicius Siqueira (DEM) e Ayrton Araújo (PT).

Jornal Midiamax