Política

Quatro provas de que Janot nunca apontou uma arma para Gilmar Mendes

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot disse que, em 11 de maio de 2017, entrou armado em uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) para matar o ministro Gilmar Mendes, e depois cometer suicídio. A declaração foi dada durante entrevista para à revista Veja. Para à Folha de São Paulo, o ex-procurador disse o crime […]

Dândara Genelhú Publicado em 04/10/2019, às 10h59

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil - Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot disse que, em 11 de maio de 2017, entrou armado em uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) para matar o ministro Gilmar Mendes, e depois cometer suicídio. A declaração foi dada durante entrevista para à revista Veja.

Para à Folha de São Paulo, o ex-procurador disse o crime não aconteceu porque seu “dedo ficou paralisado”. E logo chamou o vice-procurador-geral, Bonifácio de Andrada, para assumir a cadeira durante o resto da sessão plenária.

Diante das declarações, muitos questionamentos foram levantados. Separamos quatro pontos falhos na história de Janot.

1. Outros compromissos

No dia 10 de maio de 2017, Rodrigo Janot viajou para Belo Horizonte, e retornou do estado mineiro apenas em 15 de maio. Durante a viagem, o ex-procurador tinha compromissos institucionais na Procuradoria da República e na Procuradoria Regional da República, além de outros, como uma palestra na Universidade Federal de Minas Gerais.

2. Uso de aviões oficiais

A Força Aérea Brasileira confirmou ao jornal Jota que Janot solicitou e usou apoio aéreo, no dia 10/05/2010. Segundo eles, foi “determinado pelo Ministério da Defesa, por meio de ofício, datado de 04 de maio de 2017 em favor do procurador-geral da República para cumprimento de compromisso oficial, em que foi usada uma aeronave da Força Aérea Brasileira”.

3. Ata da sessão plenária

Segundo as informações das atas das sessões do Supremo, no dia 10 de maio já havia sido confirmada a presença do vice-procurador-geral para a reunião. Então no dia 11 de maio, Bonifácio de Andrada era o representante legal da Procuradoria Geral da República no plenário do Supremo.

4. Nem as câmeras de segurança confirmam a história

Janot disse que a vontade de matar Gilmar Mendes apareceu quando o ministro do Supremo rebateu a tese levantada pelo ex-procurador-geral da República. Na tese ele seria suspeito para decidir um recurso do empresário Eike Batista.

O ex-procurador disse que chegou a confiar os sentimentos violentos com os assessores mais próximos. E atribuiu o crédito de ‘herói’ à Bonifácio, que teria o ajudado a desistir da ideia de assassinato.

Até o momento, nenhum dos assessores confirmou ter ouvido essa versão da história. Outros que estavam na sessão questionam os movimentos feitos por Janot, afirmando que as câmeras captariam algo suspeito.

O ex-procurador rebate dizendo que tudo foi feito sob a toga, desde a troca de mãos da arma até o dedo no gatilho, apontado para o ministro. Outros ministros desconfiam do caso, e alguns foram vistos tentando reproduzir os movimentos citados por Janot, para testar a aplicabilidade.

Apenas uma ilusão

As declarações foram motivo o suficiente para a Polícia Federal investigar o apartamento do ex-procurador-geral da República. Durante a busca, foram apreendidas a pistola, munição, tablet e aparelho celular.

Por trás da busca está o ministro Alexandre de Moraes, que agiu com inquérito aberto de ofício pelo próprio STF e sem fiscalização do Ministério Público. As investigações podem facilmente apontar que o ex-procurador sofre de lapsos de memória.

Quase todos acreditam que a história não passa de um wishful thinking, termo em inglês para ilusão. Janot pode até ter desejado matar o ministro Gilmar Mendes, e a imaginação detalhada de como realizaria o crime se tornou uma memória, que ele acabou acreditando ser real.

Jornal Midiamax