Política

Vereadores divergem sobre redução de impostos a lojistas do Centro

Parlamentares defendem que comerciantes deveriam estar preparados para obras

Richelieu Pereira Publicado em 29/06/2018, às 10h20 - Atualizado às 15h14

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Temendo prejuízos devido às obras de revitalização da Rua 14 de Julho, lojistas da região central querem redução de impostos para compensar eventuais perdas financeiras. A ideia, porém, não é consenso na Câmara de Vereadores, onde o assunto foi discutido na sessão de quinta-feira (28).

Quem puxou o tema foi o vereador Delegado Wellington (PSDB), que participou de reunião na CDL-CG (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campo Grande) com proprietários de estabelecimentos comerciais do centro que se mostraram preocupados e descontentes com o andamento das obras por conta das interdições das vias.

O tucano cobra da prefeitura um plano de comunicação com orientações aos consumidores para divulgar o funcionamento das lojas e uma medida de compensação de perdas, como a redução de impostos.

“Precisamos pensar nos lojistas que estão sofrendo com a paralisação devido às obras, muitos com grandes prejuízos. É necessário um plano de comunicação que divulgue para população que as lojas estão abertas e atendendo, outra medida emergencial seria os incentivos fiscais, como a redução de impostos para compensar as perdas desses empresários nesse período ”, discursou Wellington na tribuna do Legislativo.

O vereador Ayrton Araújo (PT) não gostou da ideia de redução de tributos. Alegou que o projeto de revitalização do Centro está desde 2010 em discussão, ou seja, deu tempo para todos estarem preparados para o período de obras.

“Está na mídia falando o tempo todo que vai acontecer. Ele [o empresário] deveria ter se preparado para esse momento. Não é nenhuma novidade essa obra em Campo Grande. A prefeitura não tem que arcar com isso, tem outras coisas, principalmente a saúde ”, rebateu o petista. “Com certeza vai ficar muito bom para eles no futuro”.

O colega Valdir Gomes (PP) fez coro a Araújo, tendo dito que “os comerciantes sabiam que iria chegar o progresso e Campo Grande necessitava disso” e defendeu que a revitalização traga melhorias à Praça Ary Coelho, que está em situação “vergonhosa”, segundo ele.

André Salineiro (PSDB) agiu em defesa do correligionário e rebateu os dois contrários às medidas financeiras em favor dos lojistas. “Não podemos penalizar o comerciante. Precisa que o município tenha uma logística para amenizar os problemas que os comerciantes passam”, argumentou.

Vereadores divergem sobre redução de impostos a lojistas do Centro
Campanha vai incentivar compras no centro (Foto: Divulgação/CDL-CG)

Proposta

A CDL-CG (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campo Grande) reuniu proprietários de estabelecimentos comerciais do Centro que se mostraram descontentes com o andamento das obras e consequente interdição das vias.

Uma das alternativas é requisitar à prefeitura e ao governo estadual a redução de tributos como o ISS e o ICMS, como benefício às empresas afetadas diretamente pelas obras do Reviva Campo Grande. Eles também querem encampar uma mobilização popular que incentive o comércio na região central.

Os empresários decidiram criar uma comissão para solicitar ao poder público medidas que eles classificam como necessárias para evitar possíveis prejuízos.

Projeto

As obras, com orçamento de US$ 56 milhões, tiveram início em maio passado e devem durar 20 meses. A Prefeitura informou que a programação prevê que cada quadra ficará dois meses em obras. O projeto da Requalificação da Rua 14 de Julho compreende uma intervenção urbana com extensão de 1.400 metros lineares em área central, que promoverá a redução de uma faixa de rolamento, ampliando as calçadas, conversão das redes aéreas para subterrâneas e a implantação de paisagismo no passeio público.

Jornal Midiamax