Política

‘Quem dirá com os mortos’: reajuste volta à Assembleia em falas sobre Imol

Deputados ironizam e dizem que será "último reajuste do governo"

Joaquim Padilha Publicado em 03/04/2018, às 14h33

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Deputados ironizam e dizem que será “último reajuste do governo”

Mesmo depois de ter sido retirada de pauta pelo presidente da Assembleia Legislativa, a votação do reajuste salarial proposta pelo governo para os servidores estaduais, de 3,04%, seguiu sendo tema de discussão entre os parlamentares na manhã desta terça-feira (3). 

O deputado Cabo Almi (PT) ocupava a tribuna para pedir que o governo se mobilizasse em relação ao Imol (Instituo de Medicina e Odontologia Legal) de Campo Grande, que estaria com problemas na realização de exames por falta de equipamentos. Em seguida, Paulo Siufi (MDB) interveio, relacionando o caso com o reajuste, considerado irrisório pelo parlamentar.

“Se o governo não se preocupa nem com os vivos, quem dirá com os mortos”, disse o deputado. “É uma vergonha um parlamentar ter que usar a tribuna para pedir conserto de aparelhos”, prosseguiu Siufi, voltando a por em pauta a questão do reajuste.

“O governo afirma coisas que não existem. Falam de 33% de reajuste nos últimos anos. O governo fala que não pode aumentar mais o índice do reajuste porque vai passar do teto. Isso é vergonhoso. Manda esse bando de gente que não faz nada embora e aumenta”, declarou na tribuna.

No gabinete, Cabo Almi concordou com o colega, e ironizou que a proposta do reajuste terá impacto negativo na campanha do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) à reeleição. “Mas não tem problema, é o último reajuste desse governo”, declarou.

O deputado Amarildo Cruz (PT) também acabou falando sobre a proposta do governo na tribuna. “O governador não trata o servidor com seriedade. Nós estamos falando de reposição de perda de inflação, de recuperação disso, não é nem de reajuste, de plano de carreira”, afirmou o petista.'Quem dirá com os mortos': reajuste volta à Assembleia em falas sobre Imol

Reajuste salarial

Encaminhada à Assembleia ao final de março, a proposta do Poder Executivo para os mais de 75 mil servidores estaduais é de que sejam reajustados 3,04% de seus salários este ano. Órgãos sindicalistas reclamam da falta de discussão com as categorias.

A Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de MS) se reuniu na manhã desta terça-feira para protestar contra a votação do reajuste. A pressão dos servidores fez com que a votação fosse retirada de pauta pelo presidente Junior Mochi.

Nesta tarde, às 14h, uma audiência pública convocada pelo deputado Amarildo Cruz será realizada na Casa Legislativa, para discussão do projeto de reajuste entre os servidores estaduais.

Jornal Midiamax