Política

Marun é advertido por comissão de ética após entrevista sobre reforma da Previdência

Ministro Marun ainda pode recorrer da decisão da comissão de ética

Aliny Mary Dias Publicado em 26/04/2018, às 17h07 - Atualizado às 17h07

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, durante entrevista no Palácio do Planalto
O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, durante entrevista no Palácio do Planalto - O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, durante entrevista no Palácio do Planalto

O ministro da Secretaria de Governo da Presidência, Carlos Marun (MDB), foi advertido pela Comissão de Ética Pública da Presidência por entrevista concedida em dezembro do ano passado sobre recursos da Caixa Econômica Federal que poderiam ser destinados a estados que apoiassem a reforma da Previdência.

A advertência, segundo o presidente da comissão de ética, Luiz Navarro, se deu porque Marun infringiu artigo do código de ética da alta administração federal.

A declaração do ministro foi dada durante entrevista no Palácio do Planalto. Marun afirmou que “financiamentos da Caixa Econômica Federal são ações de governo. E, nesse sentido, entendemos que deve, sim, ser discutido com esses governantes, alguma reciprocidade no sentido de que seja aprovada a reforma da Previdência, que é uma questão que entendemos hoje ser de vida ou morte para o Brasil”, disse, na época.

A fala do ministro foi classificada como responsável por transmitir imagem “distorcida da atuação do agente público” e também que “não inspira a confiança do público em geral”.

“[A declaração] passa uma imagem de que se não votar com o governo não vai receber empréstimos. E, evidentemente, os empréstimos devem ser concedidos de acordo com critérios técnicos. Ainda que, pela repercussão do fato, isso não tenha se concretizado, as altas autoridades devem demonstrar que estão atuando com integridade e respeito às normas”, disse Navarro.

Depois do processo aberto na comissão e ética, Marun chegou a apresentar defesa por escrito afirmando que a declaração fazia parte de um “embate política”, mas os argumentos não convenceram os conselheiros. O ministro ainda pode pedir que a decisão seja reconsiderada.

Jornal Midiamax