Política

‘Fechado para busca de votos da Previdência’, diz Marun sobre novos rumos no Planalto

'Vou colocar uma nova placa na frente do meu gabinete'

Diego Alves Publicado em 19/02/2018, às 22h59

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‘Vou colocar uma nova placa na frente do meu gabinete’

Depois de jogar a toalha oficialmente, diante não só da intervenção federal no Rio como pela falta de votos, o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) brincou com seus colegas de ministério: “Agora vou colocar uma nova placa na frente do meu gabinete, ‘Fechado para busca de votos da Previdência’”.'Fechado para busca de votos da Previdência', diz Marun sobre novos rumos no Planalto

O comentário, feito após reunião no Palácio do Planalto, revelou uma certa “decepção” do ministro por não ter conseguido seu objetivo. ”Feliz eu não estou”, comentou Marun logo após anunciar que o Palácio do Planalto também considerava “suspensa”, pelo menos até novembro, a tramitação da reforma da Previdência.

Reservadamente, porém, a equipe de Temer avalia que, em compensação, pelo menos a partir de agora vai cair o preço da aprovação de projetos de interesse do Palácio do Planalto no Congresso.

Afinal, enquanto durar a intervenção no Rio de Janeiro, a tramitação de PECs (propostas de emendas constitucionais) está suspensa e, com isso, o governo não precisa mais ficar buscando 308 votos na Câmara dos Deputados e 49 no Senado.

O governo já começa, por sinal, a preparar a lista dos projetos de lei ordinária, medidas provisórias e projetos de lei complementar que tentará aprovar neste ano.

No caso dos dois primeiros, ele precisa de maioria simples, metade mais um dos presentes em cada uma das Casas, com a presença de pelo menos 257 deputados e 41 senadores.

No caso de projeto de lei complementar, a aprovação demanda maioria absoluta, ou seja, pelo menos 257 deputados a favor e 41 senadores. Na lista das prioridades estão, por exemplo, os projetos da desestatização da Eletrobras. Com ela, o governo espera arrecadar R$ 12 bilhões em 2018 para ajudar a fechar as contas neste ano.

Desde que assumiu a pasta, no final do ano passado, Marun passou a negociar diariamente a aprovação da reforma da Previdência. Ele rebate as críticas da oposição de que o governo teria feito a intervenção apenas para esconder a derrota na votação das mudanças nas regras de aposentadoria do país.

O fato, porém, admitido pelo próprio ministro, é que o governo não conseguiu reunir os votos necessários para aprovar a medida. Mesmo que não tivesse feito a intervenção, o Palácio do Planalto não conseguiria votar a proposta porque parte de sua base aliada não quis enfrentar o desgaste neste ano eleitoral.

Jornal Midiamax