Política

Bate-boca marca audiência pública sobre eleições de diretores escolares

Vereador Valdir Gomes (PP) protagozinou discussão acalorada

Guilherme Cavalcante Publicado em 21/03/2018, às 16h12

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Vereador Valdir Gomes (PP) protagozinou discussão acalorada

A audiência pública que discutiu as modificações no projeto de lei para instituir eleições diretas para diretores pedagógicos da Reme (Rede Municipal de Ensino), nesta quarta-feira (21), foi marcada por ânimos acirrados e trocas de acusações na Câmara dos Vereadores.

Bate-boca marca audiência pública sobre eleições de diretores escolares

O imbróglio em torno da discussão do projeto de lei ocorreu porque a versão da matéria, divergia do texto que surgiu da comissão composta pelo poder público e sociedade civil. A nova versão apresentada na Câmara retirava, dentre outras coisas, os artigos que estipulavam eleições diretas também para os diretores de Ceinf.

Cerca de 150 professores participaram da audiência pública (Foto - Guilherme Cavalcante/Midiamax)

“O texto que a comissão fez não é esse. Esse fala até que a eleição direta é só para diretores adjuntos. E tem mais, Ceinf não é creche, esse entendimento é ultrapassado. Ceinf é unidade escolar, é uma discussão superada”, apontou Maria Aparecida do Nascimento, conhecida como Professora Cida, membro da ACP.

Na sequência, o vereador Delegado Wellington (PSDB) afirmou que retiraria o projeto da pauta, sendo vaiado pelos professores presentes na plenária. “Diante das inconsistências, não restam opções a não ser retirar o projeto da pauta, corrigí-lo e reapresentá-lo”, afirmou. Foi quando a vice-presidente da ACP, Zélia Aguiar, rebateu o vereador.

“As eleições diretas estão previstas na Constituição Federal e na LDB (Lei de Diretrizes Básicas da Educação). Na rede estadual, as eleições ocorrem há 30 anos, ou seja, é uma vergonha que o município não tenha o processo democrático. É uma vergonha que um vereador que foi membro da comissão por dois anos proponha a retirada do projeto da pauta”, disse, referindo-se ao vereador Wellington.

Bate-boca

O clima de discussão permeou já os primeiros momentos da audiência, que foi aberta pelo presidente da comissão, vereador Valdir Gomes (PP). Ele utilizou a tribuna para ‘desabafar’ quanto a declaração de Zelia Aguiar nas redes sociais (veja vídeo) – ela teria exposto o vereador em postagem no Facebook após ele ter recebido diretores de escolas municipais na própria residência, sugerindo que o encontro iria ‘embaçar’ o processo democrático. “Qual o motivo de um vereador fazer reunião com diretores nas vésperas das eleições democráticas na Reme”, traz a publicação da professora.

Publicação da vice-presidente da ACP (Reprodução/Facebook)Na tribuna, Valdir destacou que se sentiu desrespeitado, reclamou da postagem e acuou a vice-presidente da ACP. “Não esperava ser enquadrado pela Zélia para que professores fizessem chacota do meu nome. Meu nome não é piada. Eu defendo nesta Casa professores diariamente. (…) O carinho que eu tenho a educação, eu quero que tenha comigo. (…) Não aceito esse tipo de tratamento de pessoas que convivem comigo, que falam comigo e depois vão para o Face e falam do meu nome. (…) Não sou de levar desaforo pra casa e o que eu tenho eu falo pra pessoa”, disse Valdir.

O professor Gilvano Kunzler Bronzoni, que foi candidato a vereador de Campo Grande pelo PPS nas últimas eleições, partiu em defesa da vice-presidente. “É inadmissível a ofensa contra a professora Zélia. O senhor errou, vereador Valdir, principalmente porque se trata de uma mulher. O senhor vomitou ofensas contra ela. Essas eleições não podem ser feitas para beneficiar pessoas, mas para fortalecer as escolas”, destacou o educador. “Retirar o processo democrático de pauta é um golpe. Se esse projeto não for aprovado neste ano, é um golpe”, acrescentou.

“Pela ordem”, o vereador Valdir Gomes defendeu-se das acusações. “Não vomitei, não tô vendo vômito ali. Se o senhor gosta dew ser desrespeitado no Facebook, eu não gosto. Eu não aceito. Vai ganhar a eleição para vir aqui falar. Se tem vômito, vai lá e limpa”, rebateu Valdir.

Panos quentes

A titular da Semed (Secretaria Municipal de Educação), Elza Fernandes Ortelhado, destacou que as mudanças na proposta em relação aos Ceinfs ocorreram porque boa parte dos funcionários dessas unidades eram decorrentes do convênio entre a Omep e Seleta. “Para ser diretor de escola é preciso ser efetivo, nem pode estar em probatório, então foi por essa razão que os Ceinfs foram excluídos”, destacou a secretária, que afirmou, ainda, que Ceinfs passarão a ser chamados de Escolas Municipais de Educação Infantil (Emei).

Sobre a celeuma que se instalou na Câmara, o presidente da ACP, Lucílio Souza Nobre, preferiu colocar as coisas em panos quentes. “O vereador falou ‘com o fígado’ e às vezes nós nos exaltamos, é normal. Mas, lembro que é preciso haver hombridade e fineza no uso das palavras”, apontou. Lucílio também destacou que a implantação das eleições diretas é uma luta da categoria pelo menos desde 2013, e pediu a substituição do projeto e encaminhamento da matéria para plenária, no lugar da retirada integral da matéria.

Todavia, a presidência da comissão afirmou que o projeto não pode ser encaminhado para votação sem passar por todas as comissões, dentre elas a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), de acordo com o regimento da Casa de Leis. Ausente na sessão, somente o presidente da Casa, vereador João Rocha (PSDB), poderia dar seguimento às solicitações. Cerca de 150 professores estiveram presentes ao evento.

Jornal Midiamax