Política

Receita e CGU usam veículo descaracterizado para batida na casa de Puccinelli Júnior

Vizinhos fazem fotos e vídeos da ação

Evelin Cáceres Publicado em 11/05/2017, às 10h46

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Vizinhos fazem fotos e vídeos da ação

A Receita Federal do Brasil e o Ministério da Transparência (Controladoria-Geral da União) utilizaram um Siena descaracterizado para ir ao apartamento do filho do ex-governador André Puccinelli, o advogado e professor universitário Puccinelli Júnior nesta quinta-feira (11) em Campo Grande.

Pai e filho foram encaminhados a sede da Polícia Federal quase na mesma hora, por volta das 6h. Mesmo após a condução de ambos em camburão, servidores da Polícia, Receita e CGU seguiram no prédio e deixaram o local por volta das 7h40.

Vizinhos saem na sacada para fazer imagens da movimentação no local. Muitos pararam ao lado da viatura da Polícia Federal para fazer fotos antes de irem ao trabalho.

O advogado é um dos alvos da Operação Máquinas de Lama, 4ª fase da Lama Asfáltica. Segundo a Polícia Federal, os desvios eram feitos por meio de direcionamento de licitações públicas, superfaturamento de obras públicas, aquisição fictícia ou ilícita de produtos e corrupção de agentes públicos, que resultaram em um prejuízo de cerca de R$ 150 milhões aos cofres públicos.

Para os investigadores, a organização criminosa ainda tentou ocultar a origem do dinheiro desviado, o que configurou o crime de lavagem de dinheiro.

Ontem, quarta-feira (10) completou um ano da batida da PF na casa de Puccinelli, onde os agentes estiveram novamente hoje. Documentos apreendidos anteriormente, inclusive na Operação Fazendas de Lama, embasaram essa nova fase.

As provas colhidas, segundo a PF, comprovam os desvios e superfaturamentos em obras públicas. Além de falsificar documentos com intuito de justificar continuidade e aditamento (pagamento a mais) de contratos, a organização ainda contava com a participação de agentes públicos no esquema.

Para justificar a propina, o grupo alugava máquinas e equipamentos utilizados em obras do governo estadual. As investigações mostraram que tais negociações de locação nunca existiram de fato, foram feitas apenas para dar uma origem lícita aos recursos financeiros. Foram estes alugueis que serviram para batizar a operação de Máquinas de Lama.

Além de Campo Grande, 270 agentes da PF, CGU e RF estão nas cidades de Nioaque, Porto Murtinho e Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, São Paulo (SP) e Curitiba (PR), são alvos dos Operação que cumpre três mandados de prisão preventiva, nove de condução coercitiva, 32 de busca e apreensão além do sequestro de valores nas contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas.

Jornal Midiamax