Política

Para debater exposição polêmica, deputados exibem vídeo ‘proibido’ pelo MPE

Deputado trouxe discussão de SP para sessão

Evelin Cáceres Publicado em 04/10/2017, às 14h33

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Deputado trouxe discussão de SP para sessão

“Estamos tendo excessos de alguns segmentos que pensam que são artistas, mas não são”, criticou na sessão desta quarta-feira (04) o deputado estadual Paulo Siufi (PMDB) ao exibir o vídeo com imagens do artista que fez uma performance nu no MAM (Museu de Arte Moderna) de São Paulo e foi tocado por uma criança.

O MPE-SP (Ministério Público Estadual de São Paulo) fez um alerta, avisando que quem reproduzisse o vídeo com o rosto da criança sem ser editado graficamente para borrá-lo poderia ser penalizado criminalmente.

O deputado abriu a discussão exibindo essa e outras imagens, como a do artista Antônio Obá, de 33 anos, que é finalista do Prêmio Pipa de artes visuais, durante a performance “Atos da Transfiguração”, onde apareceria passando a imagem de Nossa Senhora Aparecida em um ralador e, depois, jogando o pó sobre si.

“Não vou me calar. Isso é um escárnio. O Estado é laico, mas eu tenho a minha religiosidade e estamos tendo alguns excessos”. A deputada Antonieta Amorim (PMDB), que também é artista plástica, concordou com o parlamentar.

“A nudez faz parte da arte e no caso deste evento em São Paulo crio que houve inversão de valores da família. Nossa sociedade está no viés contrário de tudo o que é normal. Estamos indo para o fundamentalismo com excessos de quem quer coibir e também transgredir”.Para debater exposição polêmica, deputados exibem vídeo ‘proibido’ pelo MPE

Coronel David (PSC), relembrou a exposição ‘Cadafalso’, da artista mineira Alessandra Cunha, no Marco (Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul), que gerou o registro de um boletim de ocorrência e criticou a qualidade da artista com a sua opinião de parlamentar.

“Recebi críticas por registrar o boletim, de pessoas citando o Michelangelo, que esculpiu e pintou pessoas nuas. Aquelas são obras de arte reconhecidas mundialmente, não tem nada a ver com os rabiscos de genitálias que vimos aqui. Eu me arrependo de ter dado publicidade para uma artista medíocre”.

As imagens transmitidas pela TV Assembleia mostraram apenas a genitália do homem tarjada.

Polêmica

Os deputados criticaram a polêmica envolvendo o artista é Wagner Schwartz, que fez uma performance chamada “La Bête”, inspirada em um trabalho de Lygia Clark no MAM, em São Paulo. Schwartz, que trabalha há quase 20 anos com coreografia e tem vários prêmios, manipula uma réplica de plástico de uma das esculturas da série e se coloca nu, vulnerável e entregue à performance artística, convidando o público a fazer o mesmo com ele.

O promotor Eduardo Dias, da Promotoria de Interesses Difusos de Crianças e Adolescentes de São Paulo, diz que desde a semana passada a ouvidoria do Ministério Público paulista recebeu dezenas de denúncias sobre a divulgação do vídeo, “que gerou uma repercussão na sociedade”.

Segundo ele, foi feito um pedido de retirada do ar do Google e Facebook das imagens a fim de preservar a imagem da criança. “Quem estiver divulgando este vídeo nas redes sociais sem borrar o rosto da criança pode inclusive ser responsabilizado, se o promotor penal que está investigando este vídeo entender que há algum crime, como pedofilia. Pode ser visto como divulgação”, afirmou o promotor.

Jornal Midiamax