Política

Oitivas à CPI do Táxi revelam cedência e troca de alvarás entre familiares

Depoimentos ocorreram nesta manhã

Jessica Benitez Publicado em 04/08/2017, às 15h19 - Atualizado em 20/07/2020, às 01h01

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Depoimentos ocorreram nesta manhã

Na manhã desta sexta-feira (4) a CPI do Táxi ouviu dois casais que, somando, possuem 38 alvarás e são ligados por parentesco.  São eles, Orocídio Araújo e a esposa Maria Helena Ponce, com 15 e seis permissões respectivamente, além de Benevides Juliace Ponce irmão de Maria Helena com 14 alvarás e a cônjuge Gleicekermen Bogarin Ponce com três.

Orocídio foi o primeiro a falar, pediu preferência na ordem de oitiva devido a problemas de saúde. Explicou aos vereadores que detém 15 alvarás, máximo permitido por lei, porque é procurado por quem não quer mais ficar na área.

Assim como todos os outros depoentes, disse que funciona da seguinte forma: o permissionário vende o carro, telefone e rádio, os itens formam o valor de venda e a permissão, teoricamente não cobrada e de posse da Prefeitura, é transferida ao comprador.

A média paga na transição não foi revelada em nenhum depoimento. Absolutamente todos os empresários não se lembram do quanto pagaram pelo ‘pacote’ e também não trabalham mais dirigindo, apenas gerindo os pontos. “Me procuram porque já somos empresa grande. O valor do pacote depende do carro. Não me lembro da média paga, já tenho idade, é difícil”, justificou.

Questionado sobre a empresa da esposa, não quis responder. “Ela vai falar aqui”. Maria Helena realmente foi ouvida. Detentora de seis alvarás, contou que chegou a dirigir, mas não se lembra o período. “Dirigi pouco tempo. Não me lembro quanto”. Desde então seus carros são conduzidos por motoristas autônomos, os auxiliares, conhecidos como curiangos.

Eles se revezam e os táxis rodam 24 horas por dia. Funciona como se alugassem o carro e os benefícios por um período do dia e em contrapartida repartissem o lucro das corridas com o permissionário. No caso da depoente, o curiango fica com R$ 0,70 a R$ 0,80 centavos por quilômetro rodado, mas a negociação depende de critérios estipulados por cada empresário. Neste cenário não há vínculo empregatício.

O irmão de Maria Helena, Benevides Juliace Ponce, depôs em seguida. Explicou que está há 33 anos na profissão e nunca atuou em outra área. Dono de 14 permissões, recebeu uma delas de Orocídio. Indagado pela comissão, respondeu não saber o motivo pelo qual o cunhado quis passar o alvará para ele, que também já efetuou cedência a Gleison Araújo.

Novamente questionado pelos vereadores, respondeu que à época precisava vender “porque não tinha mais interesse no veículo”. Odilon Júnior, relator da CPI, se queixou das respostas vazias dadas pelos depoentes. “Falta interesse em contribuir com a verdade. Isso me deixa bastante chateado”.Oitivas à CPI do Táxi revelam cedência e troca de alvarás entre familiares

Benevides também trocou um dos alvarás com Gilmar Tavares. “Fizemos isso para trocar de ponto. Foi uma permuta”, esclareceu. Sua esposa, Gleicekermen, falou por último. Das três permissões, uma é oriunda da cunhada Maria Helena. Contou que são próximas e a negociação ocorreu porque a cônjuge de Orocídio não queria mais ficar naquele ponto, localizado no Monte Castelo.

“Ela achava que o ponto não lhe trazia sorte. Disse os carros estavam batendo, que não parava motorista e não queria mais”. Ela conheceu Benevites dirigindo um de seus táxis. Tirou carteirinha de auxiliar em 1997 e em 2004 comprou o pacote que lhe trouxe cedência do primeiro alvará.

Depois de responder às perguntas da comissão, fez pequeno desabafo. Narrou episódio vivido há pouco quando uma amiga disse que não poderia andar com “uma mafiosa”, se referindo ao termo ‘máfia do táxi’. “Quero que no final esse termo não seja mais usado para nós, que somos trabalhadores. Quero que tirem esse rótulo”. (Foto ASCOM/PMCG)

Jornal Midiamax