Política

Nova fase da Operação Lava-Jato mira em ex-gerentes da Petrobras

Operação Asfixia conclui que pagamento de propina na estatal continua

Joaquim Padilha Publicado em 04/05/2017, às 10h34

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Operação Asfixia conclui que pagamento de propina na estatal continua

A Polícia Federal cumpre quatro mandados de prisão – dois temporários e dois preventivos – nesta quinta-feira (4) por força da Operação Asfixia, 40ª fase da Lava-Jato. Os mandados ocorrem no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Entre os alvos estão três ex-gerentes da Petrobras: Marcio de Almeida Ferreira, Marivaldo do Rozário Escalfone e Paulo Roberto Gomes Fernandes. Também são cumpridos cinco mandados de condução coercitiva e 16 de busca e apreensão.

Os gerentes são acusados de receberem R$ 100 milhões de propina de empresas que assinaram contratos com a Petrobras. Segundo as investigações, os recebimentos ilícitos perduraram mesmo após a deflagração da Operação Lava-Jato.

“Mediante os pagamentos de vantagens indevidas, os ex-gerentes agiam para beneficiar empreiteiras em contratos com a Petrobras, direcionando as licitações para as empresas que integravam o esquema”, diz o MPF (Ministério Público Federal).

Duas empresas de fachada interceptavam os pagamentos, e passavam a propina para os ex-gerentes por meio de contas no exterior, pagamentos de despesas pessoais dos agentes ou com dinheiro em espécie.

De acordo com o MPF, R$ 48 milhões de propina teriam sido pagos a um dos ex-gerentes por meio da Lei de Repatriação, internizando os recursos e “lavando” o dinheiro de propina depositado no exterior, como se fosse da venda de um imóvel.

“Esse fato é gravíssimo, pois mostra que a lei de regularização cambial institucionalizou a lavagem de dinheiros dos ativos mantidos no exterior”, afirmou em nota o procurador Diogo Castor, do MPF.

Para recolher as provas, os procuradores utilizaram os depoimentos de delatores, como ex-gerentes da Petrobras e empreiteiros. De acordo com os delatores, os pagamentos de propina perduraram até junho de 2016.

Para o procurador Orlando Martello, isso demonstra que “o esquema criminoso instalado na Petrobras ainda não foi integralmente desfeito”. Para ele, os pagamentos de propina continuam a ocorrer na estatal, mesmo anos após o início da Lava-Jato.

Os presos serão levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. O nome da 40ª fase da Lava Jato, “Asfixia”, faz referência à tentativa de cessar as fraudes e ao desvio de recursos públicos na Petrobras.

Jornal Midiamax