Política

Delações em curso devem gerar novas denúncias contra Temer, diz Janot

PGR negocia delações com Eduardo Cunha e Funaro

Joaquim Padilha Publicado em 07/08/2017, às 13h25

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PGR negocia delações com Eduardo Cunha e Funaro

O procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que tem “colaborações em curso” que podem ajudar nas investigações contra o presidente Michel Temer (PMDB), por suspeita de obstrução da Justiça e organização criminosa. As declarações foram feitas em entrevista à Folha de S. Paulo, nesta segunda-feira (7)

Janot deverá deixar a PGR (Procuradoria-Geral da República) em 17 de setembro, quando termina seu mandato. Até lá, diz que “restam flechas” contra o presidente. Segundo a Folha, o órgão agora negocia acordos de delação com o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) e Lúcio Funaro.

Sobre o julgamento da Câmara dos Deputados, que votou pelo arquivamento da denúncia contra o presidente Temer, Janot diz que a Casa “não barrou a denúncia”, e sim fez um “julgamento político de conveniência” sobre a melhor época para iniciar o processo penal contra Temer.

“A Câmara entendeu que não era conveniente o momento para o processamento do presidente. Que a Câmara agora arque com as consequências. Agora, a denúncia continua íntegra, em suspenso, esperando o final do mandato”, afirmou Janot.

A denúncia de corrupção passiva contra Temer apresentada por Janot tinha como base a delação da JBS. Segundo a denúncia, o presidente teria utilizado o deputado e seu assessor Rodrigo Rocha Loures (PMDB) para receber vantagens indevidas do grupo frigorífico. Delações em curso devem gerar novas denúncias contra Temer, diz Janot

Loures foi flagrado recebendo R$ 500 mil de um operador da JBS, Ricardo Saud. Para Janot, não era necessário que o dinheiro fosse comprovadamente entregue a Temer para que o crime restasse comprovado.

“Temos de entender que o crime de corrupção não precisa você receber o dinheiro, é aceitar ou designar a proposta”, disse Janot. “Uma pessoa que designa um laranja para acertar acordo ilícito, que acerta a propina e recebe a mala, vou exigir que a pessoa que designou o laranja receba pessoalmente o dinheiro? Jamais alguém vai comprovar” afirmou o procurador.

Para Janot, Temer deveria ter recebido a quantia pelo pagamento de alguma campanha, ou conta ou despesa em dinheiro. “Todas as investigações que fizemos mostram que uma organização criminosa atua de maneira profissional, não infantil”, declarou.

Jornal Midiamax