Política

“Impeachment caiu por terra”, diz ex-ministro que perdeu cargo para Lula

Jacques Wagner acredita que novas eleições seriam "bem menos agressivas"

Joaquim Padilha Publicado em 07/04/2016, às 10h52

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Jacques Wagner acredita que novas eleições seriam "bem menos agressivas"

O ministro do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Jacques Wagner, declarou que acredita que o processo de Impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) "caiu por terra". O ex-ministro da Casa Civil, que passou o cargo ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, complementou que o processo tem tomado muito tempo da oposição para encontrar justificativas, e que a tese de novas eleições seriam uma saída "bem menos agressiva".

"Olho a proposta mais como uma tentativa daqueles que querem uma repactuação nacional, que definitivamente este processo (de impeachment) caiu por terra, não representa a legalidade. Ele na verdade aprofunda a crise", disse Wagner ao comentar sobre a ideia de novas eleições. O ministro fez as afirmações ontem (6) durante a entrega de um navio em Salvador, Bahia, onde a presidente Rousseff também esteve presente, mas não conversou com a imprensa.

Wagner também afirmou que o governo pretende "ultrapassar" o processo de impeachment. Para o ministro, a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), que recomenda que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dê prosseguimento ao pedido de impeachment do vice Michel Temer, demonstra a "fragilidade da democracia brasileira". 

"Foi uma decisão de ministro e, como se diz, decisão de ministro do Supremo a gente deve cumprir até o recurso. Isso só mostra que o pedido de impeachment está fragilizando a democracia brasileira. Essa insistência das oposições de, há 15 meses, procurar coisa para impeachment sem causa é muito ruim", disse Wagner. 

O ministro ressaltou acreditar que novas eleições devem partir de decisão da presidente Rousseff, já que "o mandato de quatro anos que foi conferido a ela é dela", e comentou também que o governo "não está nem cogitando" a ideia. A proposta ganhou força com notas emitidas por partidos como Rede, de Marina Silva, e com a defesa pública da tese feita por Renan Calheiros (PMDB-AL) no Senado, na última terça-feira.

Jornal Midiamax