Política

Cunha tem capítulo reservado a Moreira Franco em rascunho de livro

Ex-presidente da Câmara pretende fazer uma 'delação informal'

Celso Bejarano Publicado em 23/10/2016, às 18h42

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Ex-presidente da Câmara pretende fazer uma 'delação informal'

Um dia antes de ser preso, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, estaria escrevendo um capítulo específico sobre Moreira Franco, secretário do Programa de Parcerias e Investimentos do governo de Michel Temer, para o livro que pretendia concluir ainda na primeira quinzena de novembro. As informações são do jornalista Lauro Jardim para o jornal O Globo.. 

O material do livro, que já contaria com 100 páginas, é visto como uma "delação informal", já que um acordo de delação premiada com Cunha é colocado como improvável. 

Os alvos iniciais de Cunha, conforme divulgado anteriormente pela Folha de S. Paulo, seriam justamente Moreira Franco e atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Cunha já teria levantado dados sobre encontros com diversos políticos e doações relacionadas ao PMDB, além de dados sobre arrecadação para o PT.

No mês passado, Moreira Franco declarou que não ficou “zangado” com a declaração do ex-presidente da Câmara dos Deputados, de que ele seria a “eminência parda” do governo federal por trás da cassação de seu mandato de deputado federal. Na véspera, Cunha tinha responsabilizado o governo Temer por sua cassação pelo apoio dado pelo Palácio do Planalto à eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Casa.

Cunha disse na ocasião que "todo mundo sabe que o governo hoje tem uma eminência parda e quem comanda o governo é o Moreira Franco, que é o sogro do presidente da Casa [Rodrigo Maia]". "Todo mundo sabe que o sogro do presidente da Casa comandou uma articulação e fez com que fosse feita uma aliança com o PT e, consequentemente, com isso a minha cassação estava na pauta”, completou o ex-deputado.

Moreira Franco, então, alegou que a declaração de Cunha não fazia sentido e que tinha sido dada em um momento tenso para o ex-deputado. "Não vou ficar zangado com ele e não vou não compreender [a atitude tomada] em um momento de grande tensão e de grande dificuldade que ele estava vivendo. Não vou ter uma outra atitude que não esta", comentou na ocasião. "Toda essa teoria é fruto da percepção dele e está no plano teórico."

Jornal Midiamax