Política

Com bens bloqueados, ex-prefeito doa R$ 20 mil para própria campanha à prefeitura

Candidatos em Itaporã são processados por dano ao erário

Midiamax Publicado em 06/09/2016, às 15h17

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Candidatos em Itaporã são processados por dano ao erário

A polarizada disputa pela Prefeitura de Itaporã tem em seus dois extremos candidatos com bens bloqueados por determinação judicial. Wallas Milfont (PDT), atual prefeito afastado do cargo, e Marcos Pacco (PSDB), gestor municipal por dois mandatos (de 2005 a 2012), enfrentam processos por improbidade administrativa e dano ao erário. Conforme as denúncias, ambos cometeram crimes contra o patrimônio público quando administravam o município, localizado a 232 quilômetros de Campo Grande.

No caso do pedetista, afastado do cargo em abril pelo prazo de 180 dias, pesa a acusação de fraude em licitação. Segundo o MPE-MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul), Milfont direcionou uma concorrência pública para beneficiar empresa de publicidade específica. Além do afastamento, ele teve os bens bloqueados por ordem judicial.

Já o tucano é implicado numa denúncia que envolve a construção interminável de uma creche. Segundo a acusação apresentada pela Promotoria de Justiça, a obra iniciada em 2009 até hoje não chegou ao fim, embora mais de R$ 1 milhão tenha sido direcionado pelo gestor público municipal. A situação provocou até mesmo a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara de Vereadores.

Tanto Marcos Pacco quanto Wallas Milfont negam as acusações feitas pelo MPE. No TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), Milfont tem agravo de instrumento concluso ao relator da 4ª Câmara Cível desde o dia 3 de agosto. Na 2ª Câmara Cível da Corte estadual, Pacco também aguarda o julgamento de seu recurso, desde o dia 15 do mês passado concluso ao relator.

FORTUNA INDISPONÍVEL

Considerando as declarações de bens apresentadas pelos dois candidatos à Justiça Eleitoral e divulgadas pelo Divulga Cand do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), esses dois processos significam que R$ 1.749.014,98 estão indisponíveis. O valor é a soma dos patrimônios informados pelos postulantes ao cargo de prefeito. A maior parte, R$ 1.377.349,35, corresponde a Marcos Pacco, pecuarista. Outros R$ 371.665,63 são de Wallas Milfont, advogado.

Mesmo com o bloqueio, Pacco doou para a própria campanha, por meio de transferência eletrônica, R$ 20 mil, ainda de acordo com o sistema de divulgação do TSE. Não há informações sobre a fonte, ou seja, de onde o tucano tirou esse dinheiro.

DISPUTA ANTIGA

A disputa entre Wallas Milfont e Marcos Pacco pela Prefeitura de Itaporã não é inédita. Adversários antigos, já concorreram em 2004 e em 2008, ocasiões em que o tucano venceu. Foi somente no pleito seguinte, em 2012, que pedetista levou a melhor, naquela ocasião enfrentando Roberto Marsura (PMDB), hoje vice de Pacco.

Com o apoio de PSD, PT, PMN, PEN, PSB, PHS, PRTB, PPL e PTdoB, Milfont vai buscar a reeleição com o pastor Osmar Ortega na condição de vice; ele pertence aos quadros socialistas, indicado pelo PSB.

Já os tucanos contam com PV, PMDB, DEN, PTB, PR, PRB, PTC, PSL, PRB, PTN, PROS, PSDC e PSC entre seus aliados nesse pleito. Pacco tem como candidato a vice Roberto Marsura, do Partido Verde.

Jornal Midiamax