Política

Após renúncia de Olarte, vereadores ‘temem’ que Coffee Break seja protelada

Eles pedem celeridade à investigação

Midiamax Publicado em 12/09/2016, às 16h38

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Eles pedem celeridade à investigação

Para alguns vereadores de Campo Grande, denunciados na Operação Coffee Break, o fato desta passar a ser tratada em 1ª instância e não mais em 2ª, como estava, devido a renúncia do agora ex-prefeito Gilmar Olarte (sem partido), não muda em nada a defesa ou estratégia. Ao mesmo tempo, eles veem como prejudicial a demora que isso pode trazer para a conclusão do fato e consequentemente o nome deles ficam expostos sempre que o assunto é citado.

A justificativa do advogado de Olarte, Jail Azambuja, para a renúncia foi exatamente obter mais alternativas de defesa, junto ao Fórum de Campo Grande e não mais no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) e assim buscar a sua liberdade, junto a de sua esposa Andreia Olarte. Ambos estão presos desde o dia 15 de agosto, em decorrência da Operação Pecúnia. Os parlamentares pedem mais celeridade para que se tenha um desfecho deste caso e seja assunto encerrado.

O vereador Chocolate (PTB), afirmou que não vê nenhuma alteração e nem benefício para sua defesa com esta alteração e destaca que todos que votaram pela cassação deveriam ter sido citados. “Não conversei com meu advogado sobre esta mudança ainda, mas imagino que não vai mudar nada com relação a nossa defesa. Acho que todos os 23 que votaram pela cassação deveriam ser citados na operação. Deveriam investigar todos e não somente alguns e a vice governadora [Rose Modesto (PSDB)] foi uma das que votaram pela cassação, assim como outros que não foram denunciados”.

Eduardo Romero, parlamentar pelo Rede, vai na mesma linha do colega sobre a mudança de instância, mas destaca a demora que isso pode causar para uma finalização do caso e a falta de inclusão de todos envolvidos no fato em questão.

Para mim não muda em nada. A minha defesa já foi feita e se precisar faremos a mesma novamente. O único problema é que um fato que já deveria ter sido resolvido, poder demorar ainda mais para ter uma conclusão, gerando toda uma especulação, dúvida e confusão. Sobre os demais que votaram pela cassação não terem sido denunciados, não quero entrar neste mérito, isso é uma questão da justiça, mas não da para ter dois pesos e duas medidas”, disse Romero.

Vereador pelo PTB, Otávio Trad, apoia que a defesa será a mesma, mas questiona o não tratamento igualitário a todos que votaram pela cassação do atual prefeito Alcides Bernal (PP), sendo este o fato questionado pela justiça nesta operação.

Estou muto tranquilo com relação a isso. Independente de instância que esteja a operação a minha tese de defesa é a mesma e estou convicto de minhas atitudes e do porque votei pela cassação. Sobre a não denúncia de todos os que votaram sim, realmente é algo que nos surpreende, pois . Os que foram responsáveis pela cassação deveriam ter tido o mesmo tratamento e não tiveram, mas isso é um problema do MPE [Ministério Público Estadual] eu não quero entrar nesse mérito”.

Encerrado

Para o vereador Edil Albuquerque (PTB), este assunto esta finalizado para ele. “Esse assunto de Coffee Break é passado e superado para mim. Não vejo mudança nenhuma com relação a esta alteração de instância. Sobre os demais que votaram pela cassação, eu não quero entrar nesta questão, pois cada um sabe do seu grau de envolvimento e o motivo de ter votado sim pela cassação do prefeito. Não quero fazer nenhum tipo de afirmação do por que não foram todos denunciados, o que eu quero é me livrar dessas ilações”.

Paulo Siufi, vereador pelo PMDB, também não vê benefício algum com esta mudança instância, mas pede que tudo isso acabe logo. “Nem conversei com meu advogado sobre isso, até por que a minha defesa já foi feita e não muda em nada. Tenho a consciência de que não fiz nada de errado. Com relação aos demais que não foram citados, não me preocupo, eu só quero saber do meu nome fora de todas essas especulações sem fundamento. Nenhum deveria ter sido denunciado. Quero que isso tudo acabe logo e eu não seja mais citado neste fato”.

Airton Saraiva, parlamentar municipal pelo DEM, concordou com os colegas em não ver nenhuma alteração na defesa. “A minha defesa está pronta e até onde eu sei não irá mudar, mesmo que se inicie tudo novamente. Sobre a não citação dos demais que votaram pela cassação, não quero entrar nesse mérito. Se o MPE decidiu por denunciar somente alguns, respeito a decisão deles e vamos tocar a vida”.

Operação

Dos 29 vereadores que compõem a Câmara Municipal de Campo Grande, 13 estão na lista de denunciados pelo Ministério Público Estadual à Justiça, em decorrência as investigações da Operação Coffe Break, que investiga suposta negociata que levou à cassação de Alcides Bernal (PP), no dia 13 de março de 2014.

Na lista dos citados estão, João Rocha (PSDB), Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), Waldecy Batista, o Chocolate (PTB), Gilmar da Cruz (PRB), Jamal Salem (PR), Eduardo Romero (REDE), Edson Shimabukuro (PTB), Edil Albuquerque (PTB), José Airton Saraiva (DEM), Flavio Cesar (PSDB), Paulo Siufi (PMDB), Otávio Trad (PTB) e Mario Cesar (PMDB).

Jornal Midiamax