Política

Advogado falta depoimento e CPI pede condução coercitiva

Testemunha afirma não haver necessidade de depor 

Guilherme Cavalcante Publicado em 16/03/2016, às 19h30

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Testemunha afirma não haver necessidade de depor 

A Presidência da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, determinou na tarde desta quarta-feira (16) que efetivos policiais de Campo Grande localizem e conduzam coercitivamente o advogado Luiz Henrique Eloy Amado para prestar depoimento na investigação, marcado para ter início às 14h desta quarta-feira (16). Esta é a segunda vez que o advogado, que é indígena de etnia terena e atua como representante do Cimi em questões jurídicas, esquiva-se dos depoimentos na investigação.

Em documento enviado hoje para a presidência da CPI, por meio do advogado Anderson de Souza Santos, Eloy alega que, por ter obtido na justiça direito ao silêncio em questões que envolvam o sigilo profissional, não há necessidade de ser ouvido na CPI, já que toda sua participação junto a entidade concentra-se na função de advogado. Além disso, Eloy alegou que está em período de aulas no doutorado que cursa na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e por isso solicita nova data para a oitiva.

A deputada estadual Mara Caseiro (PSDB), que preside a investigação, considera que Luiz Henrique Eloy Amado está "fazendo de tudo para atrapalhar a investigação", já que existe um prazo para que a CPI seja concluída. "O Dr. Eloy deu seu endereço de trabalho, em Campo Grande. Mas, na verade o endereço dele é o próprio escritório do Cimi. Então, é claro que as autoridades enviadas lá não o encontraram", afirmou Caseiro á reportagem.

Caseiro afirma que tem conhecimento de que o advogado afirmou estar no Rio de Janeiro. "Mas, recebi informações de que até dias atrás ele estava direto aqui na Assembleia. Se for necessário, vou mandar buscá-lo no Rio de Janeiro, porque o depoimento dele é de grande valia. Ele é citado em muitas denúncias como alguém que incita as invasões. Nós não queremos ouvi-lo como advogado, mas como liderança indígena.

Por outro lado, o deputado estadual Pedro Kemp (PT), que também integra a CPI, afirmou que achar desnecessário convocar Eloy para depoimento. "Ele tem uma liminar para não falar. Não sei porque essa insistência de chamar a polícia para ir atrás dele, até porque ele não está se negando a vir, ele está pedindo uma nova data. Agora, condução coercitiva? Isso é um absurdo", considerou Kemp.

A proxima reunião da CPI está marcada para o dia 21 deste mês. Para as oitivas desta quarta-feira (16), a CPI também convocou o cacique Edson Candelário, da Aldeia Argola, em Sidrolândia. Na sequência, será ouvido Cledinaldo Cotócio, indígena que também desempenha o cargo de vereador no mesmo município. A CPI do Cimi investiga o envolvimento da entidade em supostos financiamentos de invasões de fazendas, consideradas pelas lideranças terras indígenas não demarcadas. A reportagem buscou contato com Luiz Henrique Eloy Amado, mas as ligações não foram atendidas.

Jornal Midiamax