Política

Pedido de prisão diz que Delcídio teria oferecido ‘chance de fuga’ para Cerveró

Proposta também incluía R$ 50 mil mensais

Evelin Cáceres Publicado em 25/11/2015, às 11h19

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Proposta também incluía R$ 50 mil mensais

Em conversa que teria sido gravada pelo filho de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, o senador Delcídio Amaral (PT), líder do governo na Casa, teria oferecido possibilidade de fuga a Cerveró, em troca de ele não aderir ao acordo de colaboração com a Justiça, revelando irregularidades do esquema de desvio de recursos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

A informação é da jornalista Mônica Bergamo. O senador foi preso na manhã desta quarta-feira (25) pela Polícia Federal. A operação foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) depois que o Ministério Público Federal apresentou evidências de que ele tentava conturbar as investigações da Operação Lava Jato. A proposta seria uma rota de fuga por terra ao Paraguai e , depois, um jatinho sem esacalas para a Espanha, além de R$ 50 mil mensais. Para o advogado que intermediaria os interesses de Delcídio, Edson Ribeiro, a oferta era de R$ 4 milhões em honorários. 

Também foi preso o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que estaria envolvido nas irregularidades, e o advogado Edson Ribeiro, que atuou para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

O STF também autorizou a prisão do chefe de gabinete do senador e buscas na casa do petista em Mato Grosso do Sul.

É a primeira vez que um senador é preso no exercício do cargo, já que a Constituição Federal só permite a prisão de parlamentar em crime flagrante. Nesse tipo de ação, de obstrução de investigação, a conduta é considerada crime permanente. É um dos poucos motivos que leva a corte a aceitar prisão preventiva de réu ainda sem julgamento.

O Senado deve ter que confirmar a prisão de Delcídio. A Constituição estabelece que em casos de prisão em flagrante "os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão".

Jornal Midiamax