Política

Olarte fala de Deus e Mandela ao deixar presídio e acha prisão ‘ambiente positivo’

“Houve um grande equívoco", disse Olarte

Diego Alves Publicado em 07/10/2015, às 04h39

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“Houve um grande equívoco”, disse Olarte

Após cinco dias preso, o vice-prefeito afastado do cargo de prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte, deixou por volta da meia noite desta terça-feira (6) a prisão da Companhia de Guarda e Escolta da Polícia Militar, que fica ao lado do Estabelecimento Penal de Segurança Máxima, no Jardim Noroeste, onde cumpriu prisão temporária. O advogado Jail Azambuja, e alguns fiéis da mesma igreja de Olarte o esperavam.

Ao sair, Olarte falou sobre os dias preso, Deus, família, Campo Grande, Justiça e chegou a citar Nelson Mandela. “Esperança positiva, a prisão foi desnecessária, sempre nos colocamos a disposição, para auxiliar as investigações. Estamos tranquilos, pois soubemos da nossa consciência.”

“Houve um grande equívoco, foi colocado como se já fôssemos culpados”. “Sobre a prisão, é um ambiente positivo, com militares que cumprem suas penas. Estava tranquilo com a alma em paz, procurando orar a Deus, cantar hino, ler a bíblia. O que houver, Deus estará sempre conosco, dando forças. Estou pronto para todos os desafios que forem propostos, estamos mais fortes, com saudades da esposa, família e irmãos da igreja”.

Olarte fez ainda uma análise sobre a crise política na Capital. “Campo Grande está sofrendo, quem está perdendo com tudo isso é o povo. É a minha cidade de coração, que eu amo”. Sobre o que irá fazer já de imediato, Olarte comentou que verá a esposa e irá ao casamento do filho na sexta-feira (9).

“Grandes estadistas, grande líderes, passam por circunstâncias como estas. Nós precisamos ter uma visão global de vida e da história. Porque não mencionar aqui os grandes homens e eu diria até Nelson Mandela. Quantos anos ficou na prisão e se tornou um divisor de águas pra história da África do Sul? Eu sou pequeno diante das forças daquele homem e são só cinco dias, não aproximadamente 30 anos. Mas eu acredito no poder de transformação, no perdão e no amor”, disse.

Perguntado sobre o futuro político, como por exemplo a tentativa judicial de voltar como vice-prefeito, Olarte desconversou e disse que a prioridade agora é ver a família. No final de agosto, Olarte apresentou ao Tribunal de Justiça pedido para que seja declarada a perda do objeto da decisão que o tirou do cargo, em razão da volta de Alcides Bernal à Prefeitura. No documento, os defensores de Olarte falam em reassumir o cargo de vice-prefeito, o que lhe assegura um salário de R$ 15,3 mil.

A cela onde o prefeito afastado ficou preso tem 8 metros quadrados, um beliche, uma pequena janela, um ventilador, uma bíblia e um violão, que foram entregues na noite desta sexta-feira (2) pelo advogado de Olarte, Jail Azambuja.

Coffee Break

Olarte é Investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) na Operação Coffee Break, por envolvimento em esquema de compra de votos para cassar o prefeito, Alcides Bernal (PP), em março de 2014. Outro preso em decorrência das investigações, o empresário João Amorim que conseguiu habeas corpus.

Jornal Midiamax