Política

Enrolados pela União, fazendeiros de áreas de conflito pedem ajuda a políticos

Reunião na Assomasul discute soluções para disputa de terras em MS

Midiamax Publicado em 29/06/2015, às 14h53

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Reunião na Assomasul discute soluções para disputa de terras em MS

Fazendeiros com posse de terras em regiões de conflito agrário com índios não podem “só ganhar tapinha nas costas e ir embora”, defendeu o deputado federal Carlos Marun (PMDB), em reunião com prefeitos e produtores rurais do chamado cone sul de Mato Grosso do Sul, na manhã desta segunda-feira (29), na Assomasul (Associação dos Municípios de MS). Na semana passada, a disputa acirrou-se na região, que está sob intervenção da Força Nacional de segurança.

Marun convocou a reunião entre a bancada federal, prefeitos e produtores, com o argumento de que é preciso retomar as negociações para solucionar o conflito. Não há representantes dos indígenas porque, segundo o parlamentar, não é o momento oportuno para um debate.

Por parte dos fazendeiros, os relatos envolvem invasões – retomadas, na versão dos índios – violentas, destruição de patrimônio e promessas não cumpridas por parte, principalmente, do governo federal. “Precisamos avançar sem ‘coitadismo’ e sem ódio. Tem trabalhadores na região que adquiriram as terras e precisam ser indenizados, a expropriação neste caso é ilegal. Não podem só ganhar tapinha nas costas e ir embora”, defendeu Marun.

Na fazenda de Meri Maganha, em Aral Moreira, por exemplo, ela conta que os índios expulsaram funcionários e, atualmente, duas das três casas no local estão sob poder dos tribais. Na propriedade de Agnaldo Ribeiro, em Coronel Sapucaia, houve uma espécie de mutirão de fazendeiros para retirar os indígenas das terras, porque “se depender da Justiça, é quase impossível”.

Segundo Ruy Escobar, que tem fazenda em Paranhos, há paraguaios infiltrados entre os indígenas brasileiros. “Lá no Paraguai, invadiu não tem vez, então eles vêm para cá invadir”, ataca o fazendeiro.

O prefeito de Aral Moreira, Edson Davi (PTB), disse ter avisado a Polícia Federal sobre a presença de paraguaios entre os índios brasileiros. Segundo ele, o conflito na região afasta investimentos e prejudica toda a população, “porque ninguém tem garantia de nada”.

A ordem para os fazendeiros é resistir à ofensiva dos indígenas. “Não deixem entrar, senão vamos perder”, diz o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de MS), Chico Maia, dizendo não haver “nenhuma instância que dê segurança” à posse das terras aos fazendeiros.

Maia também pede a intervenção do líder do governo federal no Senado, Delcídio do Amaral (PT/MS). “Talvez seja a hora de conseguir intermediar”, sugere.

O petista, no entanto, não participa da reunião na Assomasul. Além de Marun, estão no local os também deputados federais Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Tereza Cristina (PSB), e o senador Waldemir Moka (PMDB).

Fazem parte do chamado cone sul os municípios de Amambai, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas, Tacuru, Iguatemi,  Japorã, Juti, Caarapó, Eldorado, Mundo Novo, Itaquiraí e Naviraí. Segundo a Assomasul, somente nestes quatro últimos não há problemas relativos ao conflito entre fazendeiros e índios.

A tensão na região aumentou há uma semana, quando indígenas entraram na área da Fazenda Madama, em Coronel Sapucaia. Fazendeiros foram até o local tentar expulsar os índios, acirrando os ânimos e resultando, na sexta-feira (26), em autorização do envio de equipes da Força Nacional. 

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