Política

Depoimentos de CPI começam com polêmica sobre leitura de ata

Depoente na CPI do Cimi, quer fim da demarcação 

Heloísa Lazarini Publicado em 13/10/2015, às 18h41

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Jornalista teve primeiro contato com MS após ler carta de Puccinelli contra demarcação/Foto: Luiz Allberto

Depoente na CPI do Cimi, quer fim da demarcação 

A primeira oitiva da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Cimi mostra sinais de tensão entre deputados ruralistas e defensores dos direitos indígenas. Na Assembleia Legislativa, produtores rurais lotam Plenário Julio Maia e acompanham o depoimento. Não foi registrado, até fechamento desta matéria, presença de representantes do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) ou lideranças indígenas. 

Proposta pela deputada Mara Caseiro (PT do B), a CPI nasceu em meio à polêmica e representantes de movimentos indígenas e ativistas questionam sua imparcialidade. Nesta terça-feira (13), durante primeira oitiva, os depoentes são jornalista Nelson Barreto e jornalista e sociólogo mexicano, Lorenzo Carrasco. Logo no início da CPI houve discussão entre deputados. Pedro Kemp (PT) e Marquinhos Trad (PMDB) questionaram Mara por ela não ter lido ata da reunião anterior antes do início das oitivas, o que, segundo deputados, está previsto no regimento interno da Casa.

A deputada Mara, no entanto, se recusou a ler dizendo que não estava com o documento em mãos e decidiu colocar a questão em votação entre cinco mebros da CPI. Kemp e Marquinhos votaram a favor da leitura da ata, porém Onevan de Matos (PSDB) e Paulo Corrêa (PR) foram contra. Mara foi quem desempatou e decidiu pela leitura da ata apenas no final.

Em seguida, Kemp e Trad propuseram que Barreto e Carrasco ficassem separados durante depoimento. A ideia era que enquanto um deles estivesse falando, outro acompanharia do Plenário, mas uma vez o empate se repetiu e Mara foi voto de minerva que manteve jornalistas lado a lado. Enquanto Carrasco presta depoimento, Nelson Barreto conversou com imprensa e admitiu não ter conhecimento profundo da realidade de Mato Grosso do Sul.

Segundo o jornalista, o contato dele com Estado se deu em 2008 quando soube por intermédio do governador de Roraima, na época José Anchieta Junior (PSDB), de uma carta escrita pelo então governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), em que ele se posicionava contra demarcação de seis milhões de hectares de terras no Estado para criação de reserva indígena Guarani. “Escrevi um livro chamado Tribalismo Indígena em 1967 e em 2008 inclui dois capítulos sobre Mato Grosso do Sul depois que fui tive conhecimento da carta do governador André Puccinelli”.

Depoimentos de CPI começam com polêmica sobre leitura de ataBarreto defende fim das demarcações de terras indígenas por acreditar que conceder propriedades aos índios prejudica economia nacional uma vez que “tiram” dos produtores rurais solos férteis onde poderiam produzir.

“Em Roraima teve demarcação (Raposa Serra do Sol), as terras foram abandonadas, foi ruim para índios que ficaram sem emprego, foi prejudicial para governo, foi ruim para economia e foi ruim para os fazendeiros que perderam terras férteis. O que deve acontecer é o índio ter propriedade particular e acabar com demarcação”. Barreto, porém, não apresentou alternativa para que índios possam adquirir propriedades sem demarcação. 

Jornal Midiamax