Política

Puccinelli processa Midiamax por revelar método de campanha do governador junto a servidores

Vídeo mostra reunião do governador com funcionários públicos, onde aparece o método para garantir o voto dos servidores ao candidato Edson Giroto

Arquivo Publicado em 24/08/2012, às 12h35

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Vídeo mostra reunião do governador com funcionários públicos, onde aparece o método para garantir o voto dos servidores ao candidato Edson Giroto

O governador André Puccinelli (PMDB) afirmou na manhã desta sexta-feira (24) que irá processar criminalmente o diretor do Midiamax, Carlos Eduardo Belineti Naegele e o repórter Pio Redondo. A decisão leva em conta um vídeo publicado pelo Midiamax na terça-feira (14), que mostra método aplicado pelo governador para garantir o voto de servidores em Edson Giroto (PMDB) e vereadores da coligação “Mais Trabalho por Campo Grande”.

“Eles distorcem totalmente o texto original. Eu afirmo que o material foi editado na sua declaração, distorcendo totalmente o texto original, a fala que eu disse, pondo no sentido contrário, querendo caracterizar uma coação que não houve e de uma solicitação de apoio aos servidores. Vamos inquiri-los para que eles se expliquem pelo crime intencional ou não que cometeram”, disse o governador, momento antes de protocolar a ação contra o Midiamax, frente ao Fórum de Campo Grande.

Na verdade, Midiamax não só publicou o vídeo editado que recebeu, como também a íntegra sem edição da mesma denúncia

Questionado pela imprensa local, que pela primeira vez apareceu ‘em peso’ para falar a respeito do vídeo, o governador alegou que já possui as imagens na íntegra e que pagou R$ 3 mil do próprio bolso para um instituto de criminalística examinar as imagens. O governador não apresentou nenhum documento provando suas afirmações. Não exibiu o laudo, não citou a empresa responsável pelo suposto laudo e ficou no discurso.

As imagens que o governador afirma possuir foram publicadas no último dia 22, sob o título “PMDB ignora vídeo de Puccinelli e faz falsa acusação ao Midiamax; veja toda gravação”. Estas imagens foram entregues ao Ministério Público Eleitoral e à Policia Federal por iniciativa exclusiva do Midiamax.

Ignorando a sabatina eleitoral exibida pelo vídeo Puccineli afirma que nunca utilizou contra os adversários qualquer artifício que não pudesse não representar a verdade. Vale destacar que seu filho André Jr, o deputado Giroto e outros são réus em ação movida pelo ex-deputado Semy Ferraz.

“Qual é a intenção do Midiamax em assim fazer? E eu quero saber depois dos demais candidatos que se dizem extremamente ofendidos, no sentido de, ao saberem que houve fraude na gravação se ainda vão continuar usando da mentira, quando souberem que é uma mentira”, afirma Puccinelli. Por ter postado o vídeo no Youtube, seria este o motivo do processo contra o Midiamax, de acordo com Puccinelli. “Foi postado no youtube e nós temos a prova de quem postou foi o Midiamax. É uma degravação falsificada da empresa que a senhora representa, portanto estamos entrando contra quem entrou fez uma gravação falsificada e fraudada”, argumentou o governador.

Por determinação judicial da juíza Denise Dódero Rodrigues, a Polícia Federal já tem mãos o vídeo original cedido pelo Midiamax e caberá a ela emitir parecer oficial. A juíza determinou à PF que investigue a reunião diante da suspeita de abuso de poder.

A ação penal privada foi protocolada na manhã desta sexta-feira, no Fórum de Campo Grande. O governador não fez qualquer menção sobre veículos da imprensa nacional, como Folha de S.Paulo, UOL, Terra, Veja, Yahoo, entre outros, que reproduziram o vídeo.

Jornal Midiamax