Polícia / Trânsito

Marrone volta a negar que pilotava helicóptero no momento do acidente

O cantor Marrone, da dupla sertaneja Bruno e Marrone, voltou a negar nesta segunda-feira (20) que ele estivesse pilotando o helicóptero que caiu em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, no dia 2 de maio. Ele foi ouvido como declarante por cerca de 40 minutos no Centro de Execução de Cartas […]

Arquivo Publicado em 20/06/2011, às 22h55

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O cantor Marrone, da dupla sertaneja Bruno e Marrone, voltou a negar nesta segunda-feira (20) que ele estivesse pilotando o helicóptero que caiu em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, no dia 2 de maio. Ele foi ouvido como declarante por cerca de 40 minutos no Centro de Execução de Cartas Precatórias, que fica no 16º Distrito Policial, na Vila Clementino, na Zona Sul de São Paulo. Ele chegou por volta das 19h15 e entrou pelos fundos. Às 19h55, deixou o distrito policial por uma porta lateral, sem falar com os jornalistas.


Ele respondeu ao todo a 26 perguntas feitas por meio de carta precatória enviadas pelo delegado de São José do Rio Preto que investiga as causas do acidente. Marrone afirmou também nesta segunda-feira que tem escolaridade – o 2º grau completo – para tirar o brevê, a habilitação que permite à pessoa conduzir uma aeronave, como um helicóptero. O cantor foi, inclusive, aprovado em ao menos três exames com o objetivo de obter a habilitação.


Das três pessoas que estavam na aeronave, somente Marrone e o piloto da aeronave, Almir Carlos Bezerra, são averiguados pela polícia por suspeita de estarem envolvidos diretamente na queda do aparelho.


O empresário Jardel Alves Borges, primo e secretário de Marrone, que também estava no helicóptero, teve traumatismo craniano. Ele já teve alta do hospital. O piloto teve parte da perna esquerda decepada. E o astro sertanejo teve ferimentos leves no acidente. A aeronave, de propriedade do cantor, custa cerca de R$ 8 milhões.


Para a polícia, Marrone, que tem 46 anos, é suspeito de guiar o helicóptero sem autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Por esse motivo é investigado pelo artigo 33 da Lei de Contravenções Penais (LCP), que trata de pilotar aeronave sem habilitação. Em entrevista ao Fantástico, divulgada último dia 15, ele admitiu já ter segurado o manche da aeronave, mesmo sem ter licença, o ‘brevê’, para isso. E ainda assumiu que estava sentado do lado direito da aeronave, lugar destinado ao piloto. O cantor negou, no entanto, que estivesse no comando no momento do acidente.


Bezerra, de 49 anos, é investigado como suspeito de ter cometido lesão corporal na direção de veículo automotor, segundo o artigo 303 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Em depoimento à polícia, em São José do Rio Preto, o piloto confirmou que Marrone estava guiando o helicóptero antes da queda. Mas negou que ele estivesse no comando durante a queda. Segundo Bezerra, era ele quem guiava.


Por conta da agenda de shows da dupla Bruno e Marrone, o cantor foi ouvido na capital paulista. As 26 perguntas foram elaboradas pelo delegado assistente José Luiz Chain, de São José do Rio Preto, no dia 6 de maio.


Veja abaixo os questionamentos feitos a Marrone sobre o caso:


1) O piloto Almir Carlos Bezerra é seu funcionário? Desde quando?
2) Ele é registrado em carteira de trabalho ou apenas presta-lhe serviços como piloto?
3) O senhor é habilitado, com brevê, para conduzir helicóptero ou outro tipo e aeronave?
4) Pretende se habilitar para pilotar helicóptero ou outro tipo de aeronave?
5) Tem algum documento, atestado ou certificado exigido pela aviação civil para obtenção de habilitação para pilotar helicóptero? Pode fornecer cópia?
6) Além do piloto, quem ocupava o helicóptero no momento da queda?
7) Seria o ‘Jardel’? Qual o seu grau de parentesco com ele qual poltrona ele ocupava?
8) O senhor e o piloto usavam o cinto de segurança no momento da queda?
9) O ‘Jardel’ usava o cinto de segurança no mesmo momento?
10) O ‘Jardel’ tem costume de se deitar nas poltronas traseiras quando viaja de helicóptero com o senhor?
11) Neste caso ele estava deitado nas poltronas traseiras na ocasião da queda?
12) Do que o senhor se lembra no momento da queda? Chegou a ter dificuldades em destravar o seu cinto de segurança? Teve algumas ajuda para isso? Se teve, quem o auxiliou? Foi o piloto?
13) A decolagem foi do município de Curitiba com destino à Goiás?
14) A aterrissagem em São José do Rio Preto foi para abastecimento? Quantos litros foram colocados no tanque do helicóptero?
15) Que tipo de combustível foi colocado no tanque?
16) Durante o vôo de Curitiba para São José do Rio Preto, que poltrona o senhor ocupava, de que lado?
17) De que lado encontrava-se o piloto?
18) Em algum momento de Curitiba para São José do Rio Preto os comandos da aeronave ficaram sob o seu controle? Quantas vezes?
19) O piloto ‘Almir’ permitiu que o senhor pilotasse a aeronave em ocasiões anteriores?
20) Em que trajeto?
21) No momento da queda o senhor ou o piloto estava no comando da aeronave?
22) O senhor tentou auxiliá-lo a estabilizar a aeronave?
23) Sofreu lesões físicas em decorrência da queda? Quais e em que partes do corpo?
24) Ainda sente dores pelo corpo? Em que parte?
25) Pretende passar por exame de corpo de delito?
26) Deseja REPRESENTAR em desfavor do piloto Almir Carlos Bezerra?


Agora, o delegado deverá remeter as respostas para a delegacia de São José do Rio Preto. A Aeronáutica apura as causas do acidente. A Anac abriu processo administrativo para saber se ocorreu “alguma irregularidade pertinente aos ocupantes do helicóptero e seus responsáveis”.

Jornal Midiamax