O motociclista que sofreu politraumatismo e ficou gravemente ferido após colidir contra um Golf MK8, do influenciador e youtuber ‘Eduardo Razuk’, pede uma indenização milionária. O acidente ocorreu em Campo Grande e a vítima pede uma indenização de mais de R$ 1 milhão.
Esse acidente aconteceu durante um suposto racha na Avenida Ministro João Arinos, na região do bairro Tiradentes, no dia 6 de novembro do ano passado. Na época, câmeras de segurança de um comércio da região registraram o momento da batida entre os veículos. Com isso, o motociclista sofreu vários ferimentos, entre eles, politraumatismo, traumatismo craniano moderado e lacerações na região labial.
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Já no dia 15 de fevereiro, a advogada Luciana Musskopf, que representa a defesa do motociclista, entrou com uma ação de indenização. A ação pede ressarcimento por danos materiais, morais, estéticos, obrigação de fazer e perdas e danos com pedido de tutela de urgência.
A ação a que o Jornal Midiamax teve acesso corre em desfavor do condutor do Golf, de propriedade do influenciador (também réu). Assim como, contra o condutor de um Civic Si, que participava da corrida ilegal, conhecida como ‘racha’.
Assim, na solicitação, a defesa argumenta que o acidente causado pelos réus resultou em danos materiais de grande monta ao motociclista. Ele perdeu bens essenciais e teve despesas significativas para sua recuperação.
Prejuízos ao motociclista
Entre os prejuízos, estão a motocicleta, cujo valor médio de mercado é de R$ 9.650. Ainda o celular, danificado de forma irreversível, cujo preço médio é de R$ 851.
“Esse era o único meio de transporte para deslocamento ao trabalho e outras atividades diárias. O impacto da colisão destruiu completamente o veículo, impossibilitando qualquer reparo viável”, alega a advogada sobre a motocicleta.
Além disso, ela defende que as roupas da vítima foram rasgadas e seu sapato ficou inutilizável. Esses danos foram avaliados em aproximadamente R$ 370. O motociclista também precisou de atendimento odontológico especializado, transporte particular para locomoção e exames. Isso, porque está impossibilitado de conduzir qualquer veículo ou usar transporte público.
“Em razão das graves lesões sofridas pelo autor em decorrência do acidente causado pelos réus, ele ficou impossibilitado de realizar sozinho atividades básicas da vida diária, incluindo sua higiene pessoal e locomoção dentro de sua residência. Diante dessa condição, houve a necessidade de um terceiro para auxiliá-lo nas tarefas diárias, especialmente no banho e nos deslocamentos internos. Embora tal serviço não tenha sido formalmente remunerado, a necessidade de um cuidador é inequívoca e decorre diretamente das sequelas temporárias provocadas pelo evento danoso”.
Além dos danos morais, a defesa argumenta que o motociclista sofreu danos estéticos permanentes, entre eles, uma cicatriz visível na testa. “O dano estético é agravado pelo fato de ser permanente, tornando a marca do acidente indelével. Dessa forma, requer-se a condenação dos réus ao pagamento deindenização pelos danos estéticos sofridos pelo autor, garantindo-lhe a justareparação pelo prejuízo irreversível causado.”
Como o motociclista dependia de força física para trabalhar, a defesa também pede uma pensão mensal compensatória no valor de um salário mínimo.
Enriquecimento sem causa e exploração financeira do acidente
Outra alegação da advogada Luciana Musskopf é em relação ao enriquecimento sem causa e exploração financeira do acidente. “O segundo réu utilizou o acidente para obter benefícios financeiros diretos, valendo-se do evento para gerar engajamento e monetização em suas redes sociais”, diz o pedido.
Logo, ela mencionou que vídeos relacionados ao acidente tiveram em média 100 mil visualizações, enquanto outras publicações do influenciador dificilmente ultrapassavam 30 mil acessos. “O réu explorou o acidente para autopromoção e obtenção de lucro, sem qualquer transparência sobre os valores arrecadados e sem destinar qualquer parte dessa monetização ao autor, que foi a vítima direta da situação”.
Depois, a defesa ainda argumentou que Razuk organizou e vendeu rifas para arrecadar fundos para adquirir uma motocicleta nova em benefício do motociclista. “Vinculando a promessa ao compromisso de utilizar os valores arrecadados para tal fim. No entanto, ficou evidente que o verdadeiro objetivo da ação promovida pelo réu não era cumprir com a promessa feita, mas sim obter vantagem financeira ilícita, monetizando a confiança dos participantes e seus seguidores.”
Já o pedido de tutela de urgência é para o custeio do tratamento ortopédico e fisioterápico do motociclista para sua recuperação. “O autor sofreu múltiplas fraturas e encontra-se com sequelas que exigem acompanhamento especializado para evitar agravamento do quadro e comprometimento definitivo de sua capacidade funcional. A ausência do tratamento adequado pode gerar danos irreversíveis, agravando sua situação e prolongando seu sofrimento físico e psicológico”.

Produção antecipada de provas
Ainda, a defesa do motociclista pede a produção antecipada de provas para perícia nos veículos e na vítima. “Considerando que o primeiro réu é um youtuber que se dedica à produção de conteúdo audiovisual, é altamente provável que o evento do racha tenha sido filmado e documentado, seja para publicação em suas redes sociais ou para registro pessoal. Assim, é evidente que tais gravações, se existentes, contêm provas cruciais para elucidação dos fatos, devendo ser apresentadas no presente feito”, argumenta.
Por fim, além da pensão mensal já mencionada, a defesa pede a condenação dos réus pelos danos causados ao motociclista. Isso consiste em indenização no valor de R$ 1 milhão por danos morais, mais R$ 100 mil por danos estéticos. Além disso, ressarcimento integral dos danos materiais.
Além disso, a advogada solicita também a devolução dos valores monetizados por Razuk com vídeos e conteúdos relacionados ao acidente, bem como a condenação ao cumprimento da obrigação de entrega da motocicleta prometida ou pagamento do valor equivalente ao veículo.
E, caso o Poder Judiciário entenda pertinente, a defesa pede uma designação de audiência de conciliação.
‘Réus mentiram sobre dinâmica do acidente’, diz defesa
Outra argumentação da defesa do motociclista que ficou gravemente ferido naquele 6 de novembro é em relação ao registro do boletim de ocorrência sobre o acidente. A advogada alega que a colisão ocorreu de maneira unilateral, com base somente na versão dos réus, sem oitiva da vítima ou testemunhas.
“Os réus ocupantes do I/VW GOLF GTI SE, mentiram sobre a dinâmica do acidente, tentando imputar culpa ao autor, afirmando falsamente que a motocicleta cruzou à sua frente e minimizando a velocidade em que trafegavam. Tal versão, no entanto, é integralmente infundada e contradizida pelas demais provas dos autos. Além de elaborado unilateralmente com base apenas no relato primeiro e segundo réus, o BOAT omitiu um elemento essencial à correta apuração dos fatos: a presença do veículo Honda Civic Si, cor vermelha, também participante do racha e que foi reconduzido ao local após o acidente e evasão, pela Polícia Rodoviária Federal”, argumenta.
Em seguida, a defesa anexou uma foto do Civic Si à frente da viatura da PRF. Logo, a adogada afirma que a polícia conduziu o condutor do veículo e apreendeu o carro, sem fazer o registro da ocorrência.
Depois, ainda mostra uma imagem da polícia conduzindo o terceiro réu e alega que não registraram a ocorrência. “Esses fatos foram totalmente omitidos no ROST, não constando em qualquer outro boletim de ocorrência, o que reforça a parcialidade do documento e sua fragilidade como meio de prova. Tal omissão merece inclusive análise da Corregedoria de Polícia, diante da gravidade da conduta”.
Omissão de informações
Logo, a advogada do motociclista pontua que a omissão de informações cruciais demonstram que o registro da ocorrência foi tendencioso, sem o devido registro dos atos policiais contra todos os envolvidos.
“Se houve a condução do condutor do Honda Civic e a apreensão do veículo, é evidente que havia elementos que justificavam a responsabilização de todos os participantes do racha, e não apenas a versão unilateral dos réus e a consequente responsabilidade solidária dos envolvidos.”
A defesa também argumenta que os réus tentaram fugir do local, arrastando a motocicleta da vítima por aproximadamente 200 metros. Então, um terceiro motorista bloqueou a passagem e os interceptou.
Com isso, a advogada pede a desqualificação do boletim de ocorrência como elemento probatório confiável. E caso necessário, solicita uma perícia técnica para reconstituir com precisão a dinâmica do acidente, considerando a estrutura real da via e os elementos omitidos no documento oficial.
Defesa pede reconhecimento da responsabilidade solidária
Em 17 de fevereiro, a Justiça determinou a intinação do motociclista sobre a ilegitimidade dos réus. “Uma vez que a presente demanda discute tão somente a culpabilidade no sinistro em questão e os possíveis danos dele decorrente, sendo que o simples fato de serem ‘patrocinadores’ do alegado evento, em nada contribuem no julgamento da demanda, não havendo tampouco falar em responsabilidade solidária”, descreve o documento.
E na última quarta-feira (12), a advogada pediu pela manutenção de todos os réus no polo passivo, considerando as contribuições diretas e indiretas de cada um para o acidente. Pediu também o reconhecimento da responsabilidade solidária de todos os envolvidos e a análise do caso sob perspectiva de nova responsabilidade civil.
Ainda, solicitou o prosseguimento do caso contra todos os réus para garantir que nenhum dos envolvidos escape da responsabilidade pelos danos causados ao motociclista.
O Jornal Midiamax tentou contato com Eduardo Razuk. Como ainda não foi determinado advogado para o influenciador no processo, a reportagem acionou Eduardo via rede social e e-mail, mas até o fechamento da reportagem não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Relembre o caso
Na época do acidente, a advogada do motociclista explicou que o cliente voltava do trabalho pela Avenida João Arinos, sentido centro/bairro, quando os dois veículos se aproximaram em alta velocidade: o Golf e um Civic Si de cor vermelha. Pelas imagens de câmeras de segurança, é possível ver que o veículo vermelho passa pela vítima e na sequência, o Golf azul atinge o motociclista.
Testemunhas afirmam que os veículos disputavam um racha: estavam em alta velocidade e fazendo um barulho altíssimo. O veículo em que estava o influenciador não parou, mas outro carro que teria visto o acidente interceptou o atropelamento.
Já o veículo vermelho evadiu do local, mas testemunhas localizaram. Depois, a PRF reconduziu o carro ao local do acidente.
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