Um scanner 3D que permite recriar a cena de um crime foi usado pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, na cidade de Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande, no dia 31 de março, para esclarecer as mortes de duas mulheres e uma bebê encontradas carbonizadas.
O scanner recria a cena tridimensionalmente, permitindo que os peritos possam traçar uma cronologia do que ocorreu. No caso dos assassinatos de Líria Isnarde Batista, de 77 anos, Fabiana Benites Amarilha, de 36, e Mariana Amarilha Paula, de apenas 1 ano, o scanner fez um mapeamento detalhado da área afetada pelo fogo, com a geração de um modelo digital tridimensional fiel ao local periciado.
O recurso possibilitou que os peritos revisitassem virtualmente a cena quantas vezes fossem necessárias, com riqueza de detalhes, o que permitiu a reconstituição da dinâmica dos fatos, a identificação do ponto de origem do incêndio e a análise precisa da distribuição dos vestígios no ambiente.
O Estado tem dois scanners 3D, sendo um em Campo Grande e outro em Dourados, adquiridos em março deste ano. “Podemos utilizar essa ferramenta em ocorrências como o acidente entre automóveis e carretas carregadas de porcos e milho na BR-163, em abril de 2024, ou no rompimento da barragem do condomínio Nasa Park, em agosto. O scanner 3D permite documentar toda a cena com precisão e rapidez, garantindo um registro fiel do local antes que as evidências sejam alteradas ou removidas”, explicou o diretor do Instituto de Criminalística, Emerson Lopes dos Reis.

Mulheres e bebê carbonizadas
Os crimes ocorreram sob efeitos de bebidas alcoólicas pela mulher, segundo afirmou o delegado Erasmo Cubas, do SIG (Setor de Investigações Gerais), durante entrevista coletiva nesta semana. Ele explicou que as investigações começaram logo após as descobertas dos corpos carbonizados na manhã de segunda-feira (31), sob os restos de cinzas, pedaços de madeira e lonas do barraco que foi totalmente incendiado.
Com base nos vestígios encontrados e nos elementos colhidos, foram ouvidas testemunhas que presenciaram o início do incêndio e apontaram o momento em que uma pessoa foi vista saindo da residência instantes antes do alastramento das chamas.
Durante as investigações, a Polícia Civil conseguiu identificar a mulher com sinais evidentes de queimaduras recentes, compatíveis com momento em que o crime teria ocorrido. “As lesões foram analisadas pela perícia médico legista e reforçaram os indícios de sua participação no evento criminoso”, explicou o delegado.
Foi apurado pela polícia que o crime ocorreu quando Líria, Fabiana e a acusada ingeriam bebida alcoólica e discutiram em determinado momento. Após a briga que tiveram, a mulher então cometeu o crime.
Líria foi morta com uma pancada com barra de concreto na cabeça, antes do incêndio. Já Fabiana, foi queimada viva enquanto dormia e a bebê foi asfixiada. Depois, a bebê teve o corpo jogado no interior da casa em chamas.
💬 Fale com os jornalistas do Midiamax
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?
🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.
✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.