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Polícia

Polícia pune delegada que desafiou DG e preservou investigação do jogo do bicho em Campo Grande

Dois dias após condenação de réus da Omertà, Daniela Kades ainda levou 30 dias de 'gancho' após ser gravada em reunião na DGPC
Thatiana Melo -
Corregedoria da Polícia Civil divulgou datas das correições
(Arquivo)

A delegada Daniella Kades que respondeu a um PAD (Procedimento Administrativo Disciplinar) em 2021, após não ter repassado informações ao delegado-geral na época, Adriano Garcia, sobre investigação do jogo do bicho, em , foi punida com 30 dias de .

A decisão de suspensão da delegada aconteceu dois dias depois dos réus da Omertà serem condenados pela morte de Matheus Coutinho, em abril de 2019. A decisão teria sido postergada para depois do julgamento, já que a delegada estava entre as testemunhas que iriam depor ao júri.

Na portaria assinada pela delegada em substituição ao delegado-geral, Rozeman Geise Rodrigues de Paula, o delegado Alberto Luis Carneiro da Cunha foi designado para substituir Daniella Kades no período de 1 a 30 de agosto deste ano, em razão de cumprimento de sanção administrativa imposta a Daniella Kades de Oliveira Garcia (PAD-013/2021/CGPC/MS).

Em conversa com o Jornal Midiamax, a delegada afirmou que não recorreu da decisão administrativamente e que ainda tem prazo para recorrer de forma judicial, mas ainda não decidiu se irá recorrer.

Em fevereiro de 2022, Adriano Garcia foi exonerado do cargo de delegado-geral, assumindo em seu lugar Roberto Gurgel, após uma série de escândalos em que se envolveu, inclusive em atirar contra o carro de uma jovem na rua, em uma briga de trânsito.

Em contato com o Jornal Midiamax, o ex-delegado-geral, Adriano Garcia, diz que “a justiça foi feita no seu devido tempo” e que a delegada Daniella Kades “teve a ampla defesa” e completa dizendo que a sanção foi aplicada “pelo secretário”.

Ainda conforme Adriano, a alegação de Kades seria uma estratégia para “se vitimizar” e que ela não recorreu, pois, segundo ele, “sabe que está errada”.

A reportagem entrou em contato com a DGPC, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

Briga em reunião que acabou em PAD

A delegada Daniella Kades acabou respondendo ao PAD após não ter repassado informações ao delegado-geral Adriano Garcia, que teria cobrado de Daniella nomes de quem seriam as pessoas responsáveis pelo jogo do bicho atualmente, na cidade. “Falei que eu sabia algumas, mas não de maneira enfática. Até mesmo porque se eu soubesse materialmente eu tinha obrigação de prender essas pessoas”, disse Kades ao Jornal Midiamax na época dos fatos.

“Eu sabia de maneira informal, até porque não é mais a força-tarefa que investiga o jogo do bicho. Então disse que não falaria”, disse na época. Neste momento, o delegado-geral teria determinado que ela falasse. “É uma prerrogativa do delegado, ainda tem investigação em andamento, inquérito. É uma garantia do delegado, então disse que não falaria. Naquele momento acabei sendo infeliz na colocação que não acreditava na polícia”, teria dito Daniella na reunião.

Após a discussão na reunião, o delegado-geral na época, Adriano Garcia, recorreu a um processo administrativo. Nele, Adriano relatou que ao responder rispidamente Daniela transgrediu o artigo 155 da Lei Complementar nº 114/2005 que define, entre outras posturas, ‘observar o princípio da hierarquia funcional’.

Briga de trânsito e tiros na rua

No B.O, a versão registrada admitiu que tudo começou devido a uma briga de trânsito. Na versão da ocorrência, foi confirmado que Adriano buzinou após ser ‘fechado’ e que a motorista de 24 anos teria ‘mostrado o dedo’ após levar a buzinada. O histórico afirma que o delegado atirou duas vezes depois que ela já tinha parado o carro, e um dos disparos quando ela tentou fugir.

Segundo a versão da Polícia Civil, Adriano teria atirado porque achou que a jovem, mesmo com o carro trancado pelo carro dele, estaria “virando o volante para o lado dele e engatando ré”. No entanto, pouco antes, ele mesmo diz que não sabia quantas pessoas poderiam estar no carro porque tinha insulfilm, ou seja, contraditoriamente, diz que não seria possível ver o interior do veículo.

Durante o atendimento da ocorrência dos disparos feitos pelo delegado-geral, os policiais que atenderam à ocorrência do chefe recolheram a memória de uma câmera que ela tinha no para-brisa do carro, e o celular da jovem.

A motorista garante que, nas filmagens, poderia provar que o delegado-geral a perseguiu sem se identificar logo após se irritar em uma desinteligência de trânsito. “Simplesmente mostrei o dedo para ele porque meu carro afogou e ele buzinou. Eu não tenho bola de cristal para saber que ele é delegado”, disse a jovem.

*Editada às 13h31 para acréscimo do posicionamento do ex-delegado-geral, Adriano Garcia

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