Testemunhas no caso do assassinato de Marta Gouveia dos Santos, de 37 anos, assassinada com 30 facadas, reforçaram que o filho dela, Matheus Gabriel Gonçalves dos Santos, de 20 anos, acusado pelo crime, apresentava comportamento estranho. Segundo os relatos, o jovem sempre dizia que conversava com Deus e com o demônio e, em uma das conversas, teria afirmado que recebeu uma ‘revelação’ sobre a morte da mãe e que queria que isso acontecesse.

Uma das testemunhas, um policial que trabalhou nas investigações, disse em videoconferência que o acusado pedia aos presos, que recebiam liberdade, para falarem dele fora da prisão. Além disso, a testemunha afirmou que, dentro da penitenciária, Matheus se comportava como se estivesse em uma colônia de férias e em momento algum se mostrava abalado pela morte da mãe.

Na tarde desta quinta-feira (28), na continuação do julgamento, o promotor de acusação, William Marra Silva Júnior, rebateu a alegação de que houve omissão nas investigações sobre o assassinato de Marta e afirmou que Matheus Gabriel tentou obstruir as investigações.

“Ele comete mentiras quando questionado e, inclusive, são mentiras desmentidas por testemunhas. Uma vizinha diz que o Matheus pediu para ver as imagens de câmeras do circuito interno. Ela falou para ele que as imagens de câmeras iriam sumir e o Matheus não falou nada, ou seja, ele queria claramente obstruir a investigação policial”, destaca.

O promotor também ressaltou que, no dia do crime, Matheus saiu de casa antes da manhã, em uma moto vermelha e ressaltou os desvios de comportamento de Matheus, o que foi mencionado por diferentes testemunhas sobre o caso e finalizou dizendo que o acusado é um ‘ladrão de vidas’.

“Ele tirou a herança dos descendentes, a maternidade na primeira infância que estes dois meninos não vão ter, que é de ter a sua mãe em uma noite de natal, no Dia das Mães”, citou.

O Ministério Público Estadual pediu a condenação do acusado pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver.

Entenda o caso

Marta foi assassinada no dia 23 de janeiro de 2022. No dia do crime, ela saiu para pedalar por volta das 6h30. Depois disso, não foi mais vista e foi dada como desaparecida. O corpo foi encontrado por um casal de amigos, por volta das 16h20, do mesmo dia em que ela sumiu. A vítima estava seminua à margem da segunda alça do anel viário que liga a rodovia MS-276 com a MS-134, saída para Batayporã, em Nova Andradina, onde ela morava com os filhos.

O defensor público, Aparecido Tinti Rodrigues de Farias, insistiu que haviam pegadas próximas da bicicleta de Marta e que houve omissão nas investigações. Ele defendeu que as testemunhas não foram ouvidas imediatamente e ressaltou que são necessárias provas materiais, além de buscas no “Google” e no telefone celular do jovem.

O defensor também pontuou que a prisão temporária de Matheus foi concedida sem que houvesse provas contra ele e observou que um ciclista estava encostado na ponte e que não houve retrato falado e nem investigação sobre ele, que estava pela cidade no dia do crime.

Matheus foi preso no dia 3 de fevereiro de 2022 e 30 dias após a prisão temporária, foi transferido para a Penitenciária Estadual de Dourados, no Sul do Estado. Matheus, que alega inocência, apontou um parente do ex-marido da mãe como autor do assassinato, sem dar mais detalhes, ou informar o que teria motivado o crime.

A polícia, por outro lado, garante que o comportamento do rapaz, durante os depoimentos, foi um dos primeiros sinais de que ele tivesse matado a mãe. As investigações confirmaram a suspeita e apontaram o jovem como autor do crime.

O julgamento, que é realizado no plenário do Fórum de Nova Andradina, começou por volta das 8 horas. O corpo de jurados é composto por quatro mulheres e três homens. Dois ex-delegados fazem a defesa de Matheus, sendo o ex-delegado Cláudio Martins, que atuou na segurança pública de Mato Grosso do Sul, e o ex-delegado de São Paulo, Aparecido Tinte Rodrigues de Farias. A sentença será proferida ainda nesta quinta-feira.