Polícia

Ex-assessor de vereador tem prisão decretada e vai para presídio em Campo Grande

Defesa tentou liberdade com medidas cautelares que foi negada pela Justiça

Thatiana Melo Publicado em 06/01/2022, às 10h49

Robson também era presidente do bairro São Conrado
Robson também era presidente do bairro São Conrado - Reprodução

O agora ex-assessor do vereador Ademir Santana, Robson José Ximenes, teve a liberdade negada nesta quinta-feira (6), em audiência de custódia, em Campo Grande. A defesa tentou pela liberdade de Robson com medidas cautelares, que foi negada pela Justiça, tendo a sua prisão decretada.

Também foi negada a liberdade para José Torres Júnior, de 32 anos. Os dois foram presos após serem flagrados com 41 quilos de cocaína, no bairro São Conrado, na terça-feira (4), encaminhados para exames no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) e depois para presídio de Campo Grande. 

Quando preso, Robson chegou a oferecer cargos na Câmara Municipal para que José assumisse a propriedade da cocaína apreendida. Durante seu depoimento, José disse que quando ele e Robson estavam na viatura da Polícia Militar sendo levados para a delegacia, o assessor do vereador teria pedido para que assumisse a propriedade da cocaína apreendida em duas caixas de papelão, já que arrumaria um cargo comissionado para a esposa de José.

Robson ainda teria prometido ‘cuidar’ das filhas do comparsa, caso ele assumisse os 41 quilos da cocaína. O funcionário da Funesp ainda contou que, na delegacia, o advogado de Robson sugeriu que ele ajudasse o assessor do vereador, dando a entender que assumisse a droga apreendida pela polícia.  

Ainda durante o seu depoimento, José contou que já tem passagens pela polícia, sendo que atualmente cumpre pena em regime domiciliar por uma condenação de roubo. Ele relatou que presta serviços para Robson há aproximadamente três anos.

José ainda relatou que, na tarde de terça (4), Robson teria ligado para ele, pedindo que fosse junto buscar uma doação. Então, Robson foi até a casa do amigo no Prisma, que conforme apurado pelo Midiamax está em nome de um assistente parlamentar, nomeado no mesmo dia que Robson para cargo comissionado na Câmara Municipal de Campo Grande.

Depois, saíram dali e foram para casa de Robson, onde descarregaram as caixas dentro de um quarto. Eles ainda conversaram e, na hora de ir embora, Robson teria sugerido que ele saísse com o Prisma, para não ter que pedir carona para a esposa. Ele foi embora, mas voltou após o amigo pedir que ele levasse um carregador de celular.

Então, quando chegava, percebeu a viatura do Batalhão de Choque já na esquina na casa de Robson. José afirma que achou estranho e passou direto com o carro pelos policiais militares, mas alega que não tentou fugir. Ele ainda relata que não sabia da droga.

Exonerado

Robson José Ximenes, preso após ser flagrado com cocaína na terça-feira (4), foi exonerado do cargo de assessor parlamentar da Câmara Municipal de Campo Grande pelo presidente Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB). A publicação com o desligamento, que tinha sido anunciado anteriormente, saiu no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) desta quinta-feira (6) — com validade a partir de quarta-feira (5).

O agora ex-servidor recebia R$ 4,8 mil, de acordo com o Portal da Transparência da Casa de Leis, e estava nomeado no gabinete do vereador Ademir Santana (PSDB) que, segundo Carlão, concordou com a exoneração. Robson, que também é presidente da associação de moradores do Bairro São Conrado, estava com outro homem quando foi pego pela polícia. 

Os dois foram flagrados com duas caixas que continham cocaína. Cargos na Câmara de Vereadores teriam sido oferecidos para que o comparsa assumisse a droga, segundo informações da polícia.

Jornal Midiamax