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Polícia

Sem arrependimento: ao depor, Adailton narra facadas e tortura até morte de Francielle

Adailton chegou a cortar as nádegas de Francielle com navalha e jogar água oxigenada em Campo Grande
Arquivo -

Dor e humilhação: era isso que Adailton Freixeira da Silva queria que Francielle Guimarães Alcântara, de 36 anos, sentisse em sessões de tortura que realizou contra a esposa, após acreditar ter descoberto uma suposta traição em 2021. Francielle foi mantida em cárcere por cerca de 30 dias, segundo ele mesmo confessou em depoimento obtido com exclusividade pelo Jornal Midiamax.

Adailton não negou as sessões de tortura e disse que teria cometido os atos por uma suposta traição da mulher, que mal saía de casa, fato que repete reiteradas vezes em depoimento, na tentativa de encontrar justificativas para os atos cruéis cometidos. O homem contou que a tortura começou com os cortes de cabelo que fez em Francielle, sendo que em uma das vezes chamou um barbeiro para ‘acertar’ o cabelo da vítima pagando R$ 20. 

O soldador detalhou que em uma das sessões de tortura à Francielle, ele chegou a esfaqueá-la no tórax, causando uma ferida de 7 a 10 centímetros, além de fazer cortes nas costas da vítima e perfurar a sua costela com uma faca de serra. Adailton ainda teria ameaçado cortar as partes íntimas da esposa, caso ela continuasse a ‘mentir’ para ele.

Tortura e crueldade

Sobre as nádegas de Francielle estarem sem peles, Adailton disse que os machucados eram devido a quedas que a mulher havia sofrido. Ele ainda afirmou que o local havia infeccionado e ela que teria pedido para ele passar uma navalha para retirada de pus. O soldador disse que após fazer o procedimento com a gilete, jogou água oxigenada nas nádegas de Francielle ‘que parecia não sentir dor’. 

Adailton ainda teria batido por oito vezes com a perna de uma cadeira nas nádegas machucadas de Francielle. Sem detalhar o motivo, Adailton confessou que bateu novamente na mulher após ela retornar da casa da irmã em dezembro, onde passou três dias. Ele teria dado chutes na barriga de Francielle na ocasião. Sobre os dentes quebrados de Francielle, Adailton afirmou que foram quebrados quando ela caiu no chão, e que a própria esposa teria terminado de arrancá-los com um alicate de unha. 

No dia da morte de Francielle, ele contou que ainda tentou reanimar a esposa. Quando não conseguiu, pediu para que o filho de 17 anos acionasse  o Samu, mas nega ter dito ao adolescente que teria visto Francielle tomar remédios. Ele fugiu logo em seguida, indo para a rodoviária de Campo Grande e pegando um ônibus indo direto para Cuiabá. 

Prisão na rodoviária 

Adailton acabou preso no dia 31 de janeiro, na rodoviária de Cuiabá, no Mato Grosso onde tinha parentes e pretendia se esconder da polícia. No dia 3 de fevereiro, Adailton chegou a Campo Grande, após policiais irem buscá-lo no Mato Grosso. Ele prestou depoimento na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), no mesmo dia. 

Denúncia de vizinhos

No dia 16 de dezembro de 2021, vizinhos ligaram por duas vezes para a polícia relatando que Francielle estava sendo agredida pelo marido. Na primeira ida dos militares à residência, ele disse que não estava ocorrendo nada. Mas, momentos depois um novo chamado fez com que os policiais voltassem  ao local.

Desta vez, familiares da vítima estavam em frente à residência dizendo que Francielle estava apanhando de Adailton Freixeira da Silva, de 46 anos. Mas, mais uma vez ela relatou que o chamado deveria ser para outra casa. Não foi visto nenhum sinal de  violência aparente no corpo da mulher, e os policiais conversaram com a família e com a vítima, que nesse dia resolveu ir para a casa de sua mãe. 

Dias depois, Francielle foi colocada em cárcere privado pelo marido que passou a fazer sessões de tortura com a esposa, que teve os dentes quebrados, cabelos cortados rente ao couro cabeludo, além de ser queimada e ficar sem pele nenhuma nas nádegas. No corpo de Francielle, o médico legista encontrou equimoses no abdômen e na região do tórax. 

A morte

Ela foi encontrada morta em casa e a princípio o caso foi tratado como morte natural. No entanto, no laudo da funerária, o delegado percebeu lesões. O corpo foi encaminhado para verificação do óbito e o médico então retornou, alegando que as lesões não eram compatíveis com morte natural.

Assim, o corpo de Francielle foi encaminhado ao Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), onde foi confirmada a morte violenta. Francielle foi vítima de estrangulamento, asfixiada com um cordão em volta do pescoço. No corpo, várias outras lesões, dente quebrado, unhas quebradas, ferimentos na cabeça, o cabelo totalmente cortado, evidenciavam a tortura que ela sofreu por pelo menos um mês.

Na casa, foi feita perícia e objetos usados nas agressões apreendidos, bem como o objeto que teria sido usado no estrangulamento.

Ainda conforme o delegado, familiares procuraram a delegacia e relataram que Francielle era mantida em cárcere pelo marido. A mulher era proibida de sair de casa, mantida em cárcere privado, sem poder se comunicar com os familiares ou qualquer outra pessoa.

Imagens de câmeras de segurança flagraram o autor saindo da residência, momentos após o feminicídio.

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