Polícia

‘Não teve tiro na nuca’: defesa de PM que matou garoto em chácara tenta absolvição

Advogados da família afirmam que PM matou sem dar chance de defesa para Juninho

Thatiana Melo Publicado em 14/09/2021, às 09h15

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Amilton Ferreira, advogado de defesa do PM (Thatiana Melo, Midiamax)

Após quatro anos, vai a júri popular o Policial Militar, Gesus Fernandes de Oliveira, pelo assassinato do adolescente de 17 anos, Luiz da Souza Silva Junior. A defesa do militar, Amilton Ferreira de Almeida, disse que tentará derrubar a qualificadora e pedirá pela absolvição de seu cliente, que, segundo ele, agiu em legítima defesa.

Amilton contou ainda que o tiro que matou Luiz não foi na nuca e sim pela frente transfixando, e isso será provado no julgamento desta terça-feira (14). Ainda de acordo com o advogado, Gesus agiu em legítima defesa própria e de terceiros, já que o garoto estaria armado.

Mas, este fato é contestado pelo advogado que atende a família do adolescente. Luiz Gabriel Faria Lima disse que a vítima estava de costas quando foi atingida pelo tiro, o que dificultou a defesa do garoto. A família pede por Justiça e uma pena alta.

Caso os jurados entendam que houve homicídio qualificado, a pena de Gesus pode chegar a 30 anos de prisão, mas caso a qualificadora seja derrubada a pena deve chegar a 20 anos. Um dos amigos de Juninho, Geovane Souza, disse que o amigo não precisava roubar para ter dinheiro que era trabalhador e que nunca andou armado.

Relembre o caso

O adolescente foi morto após uma confusão dentro da Chácara República, na madrugada do dia 10 de junho de 2017. A Polícia Civil foi acionada e obteve informações de que o primeiro disparo ocorreu dentro do local. Na tentativa de espalhar a multidão, o segurança teria atirado para o alto, mas a ação provocou mais tumulto.

Uma testemunha de 17 anos disse à polícia que os participantes da festa passaram a correr em direção à saída, momento em que o policial fez o segundo disparo, desta vez em direção ao público.

Luiz Júnior foi atingido no pescoço e morreu no local. O projétil foi localizado embaixo do corpo. Júnior era o caçula de três irmãos e não portava documentos no momento do fato.

Jornal Midiamax