Polícia

Trio acusado de execução a mando de detento em Campo Grande tenta liberdade

Eles são réus pelo homicídio e ainda duas tentativas

Renata Portela Publicado em 23/11/2021, às 13h25

Luiz Felipe foi assassinado na varanda da casa
Luiz Felipe foi assassinado na varanda da casa - (Arquivo, Midiamax)

Thiago da Silva Gomes, Fabiano Saraiva e Marcelo Rodolfo da Silva Neves tentaram pedido de revogação da prisão preventiva, pela execução de Luiz Felipe da Silva, 22 anos. O crime aconteceu em 31 de março, em uma residência no Tijuca, em Campo Grande, e teria sido encomendado pelo detento Tiago Paixão de Almeida, que já foi considerado ‘chefão’ do tráfico na região daquele bairro.

Conforme decisão da turma da 3ª Câmara Criminal, publicada nesta terça-feira (23) no Diário da Justiça, a defesa alegou ausência de indícios de autoria do crime, além de excesso de prazo. Para os desembargadores, há provas do fato e indícios suficientes da autoria. Também há necessidade de manter a prisão para garantia da ordem pública, considerando a gravidade dos crimes.

A ordem foi parcialmente conhecida e denegada, mantendo a prisão preventiva dos réus.

Denúncia e execução

Segundo a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), os homens agiram a mando de Tiago e, utilizando armas de fogo, atiraram contra Luiz e outras duas pessoas, que também estavam na casa. Uma das vítimas chegou a ser atingida por um tiro de raspão.

Conforme a acusação, Tiago teria mandado matar Luiz e quem mais estivesse com ele no local, onde funcionaria uma ‘biqueira’, por motivo torpe. Isso porque o homicídio teria sido encomendado pela disputa da venda de drogas naquela região. Naquele dia, dois dos suspeitos teriam chegado ao local fingindo que comprariam drogas e repentinamente atiraram várias vezes contra as vítimas.

A investigação ainda apurou que três dos envolvidos também praticavam tráfico de drogas, já que durante a prisão equipe do Batalhão de Choque localizou aparatos para venda de entorpecente, além de mais de 3 mil papelotes de cocaína. Além disso, foi identificado que os três ‘trabalhavam’ para Tiago.

O grupo se tornou réu pelo homicídio qualificado, tráfico de drogas, associação criminosa e ocultação da arma de fogo. Todos os envolvidos continuam presos e o juiz ainda não avaliou a representação do delegado para que seja decretada prisão preventiva dos criminosos.

Mandante do crime

Tiago foi preso em dezembro de 2018, após investigações da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico). Na época, ele ainda chegou a ‘debochar’, dizendo que daria R$ 200 a desembargador e logo estaria na rua.

As investigações apuraram que Tiago comandava o tráfico na região do Tijuca, movimentando até R$ 700 mil por mês, mantendo a família como quadrilha. A esposa de Tiago era sócia no esquema e recrutava pessoal para trabalhar, além de fazer pagamentos. A irmã e a cunhada produziam e embalavam a droga. Já o pai era fiscal de vendas e ainda havia uma pessoa que lavava dinheiro da venda do entorpecente.

Integrantes da organização criminosa chegavam a trabalhar 10 horas por dia, com uma hora de descanso e recebiam R$ 900 por mês. Com a família do tráfico, foram apreendidos dinheiro em reais e dólares, relógios de luxo, droga e uma pistola. O criminoso também seria dono de imóveis em Santa Catarina e no Estado que ultrapassavam R$ 5 milhões.

Jornal Midiamax