Polícia

‘Sou uma pessoa muito calma’, diz serial killer ao relatar homicídio de idoso em Campo Grande

Nesta tarde de terça-feira (16), foi interrogado Cleber de Souza Carvalho, que ficou conhecido como serial killer de Campo Grande após 7 homicídios serem descobertos em 2020. O réu foi ouvido inicialmente apenas pelo crime cometido contra Timótio Pontes Roman, de 62 anos, em 2 de maio. Cleber seria ouvido em outra audiência, que precisou […]

Renata Portela Publicado em 16/03/2021, às 15h24 - Atualizado em 17/03/2021, às 08h49

Cleber na casa de Timótio após vítima ser encontrada (Arquivo, Midiamax)
Cleber na casa de Timótio após vítima ser encontrada (Arquivo, Midiamax) - Cleber na casa de Timótio após vítima ser encontrada (Arquivo, Midiamax)

Nesta tarde de terça-feira (16), foi interrogado Cleber de Souza Carvalho, que ficou conhecido como serial killer de Campo Grande após 7 homicídios serem descobertos em 2020. O réu foi ouvido inicialmente apenas pelo crime cometido contra Timótio Pontes Roman, de 62 anos, em 2 de maio.

Cleber seria ouvido em outra audiência, que precisou ser adiada já que ele estava acometido de uma gripe. Nesta terça-feira, foi interrogado pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, por videoconferência. Atualmente no IPCG (Instituto Penal de Campo Grande), Cleber iniciou o interrogatório dizendo que conhecia Timótio há pelo menos 20 anos.

Segundo ele, o idoso era conhecido do bairro, sempre conversavam, mas não tinham uma amizade mais próxima. No final de 2017, Timótio teria pegado dinheiro emprestado de Cleber, que por sua vez conseguiu o valor com um agiota de quem, segundo ele, sempre pegava dinheiro. Foram R$ 3 mil, que seriam cobrados a juros, somando R$ 450 à conta por mês.

Mesmo com o passar dos anos, Cleber alegou que Timótio não pagava nem mesmo os juros. Ele, no entanto, repassava os juros ao agiota. “Ele não pagou e por isso aconteceu o que aconteceu”, disse. Cleber chegou a relatar que o valor de dívida beirava R$ 18 mil, mas não se importaria se a vítima pagasse só R$ 5 mil, por exemplo, pois poderia quitar a dívida com o agiota.

Briga e homicídio

Foi no início de 2020 que Cleber, que trabalhava como pedreiro, foi procurado por Timótio para fazer um serviço na calçada da frente, que estava esburacada. Ele cobraria R$ 50 e pediu para vítima comprar areia e cimento. Naquele dia 2 de maio, Cleber chegou na casa da vítima por volta das 6h30.

Na calçada ele não viu o material que usaria para a obra. Mesmo assim desceu as ferramentas e, segundo relato, deixou o carrinho com as ferramentas nos fundos da casa de Timótio, para que não ficasse na calçada e não fosse furtado. Depois, a vítima levou o pedreiro até um banheiro, também nos fundos da casa, para mostrar um vazamento.

Timótio teria pedido para que Cleber também realizasse aquele serviço. Em determinado momento, o réu começou a cobrar a vítima da dívida, que já havia se comprometido a pagar naquela semana. Os dois tiveram uma discussão e Cleber então alegou no interrogatório que ‘perdeu a cabeça’ neste momento.

“Começamos a discutir, perdi a cabeça e bati nele. Sou uma pessoa muito calma, sou trabalhador, mas nesse dia até cobrei mais barato, era só para ele me pagar”, disse. Segundo o réu, ele então pegou o cabo da picareta que estava com as ferramentas e golpeou Timótio. Os dois golpes acertaram a cabeça do idoso, que caiu.

“Vou terminar de matar logo”, disse Cleber ao ser questionado pelo juiz do motivo pelo qual jogou o corpo da vítima no poço. Ele ainda contou que chegou a pensar que se a vítima acordasse, poderia ligar para a polícia, por isso decidiu jogar o corpo no poço. O réu, que já teve até mesmo pedido de declaração de insanidade mental feito pela defesa, chegou a relatar que estava com a cabeça perturbada, pois estava pensando no que havia ocorrido com José Leonel Ferreira dos Santos, de 61 anos.

Leonel foi morto por Cleber um dia antes da morte de Timótio. Ele chegou a relatar no interrogatório que só após a morte de Timótio voltou até a casa de Leonel e o enterrou.

Sequência de mortes

José Jesus de Souza, de 44 anos, conhecido como Baiano, desaparecido desde fevereiro de 2020, teve o corpo encontrado no dia 15 de maio, durante a madrugada. Algumas horas depois, quem também teve o corpo encontrado após escavações foi Roberto Geraldo Clariano, de 48 anos, desaparecido desde junho de 2018, morto durante uma discussão no Recanto dos Pássaros.

Roberto teria sido contratado por Cleber para fazer um trabalho braçal, e durante a briga foi morto com golpe do cabo de uma picareta na cabeça. Ele então foi enterrado em um terreno no Recanto dos Pássaros.

No início da tarde do mesmo dia, o idoso o idoso Hélio Taira, de 73 anos, que estava desaparecido desde novembro de 2016, também foi localizado. Cleber fazia reforma em residência na Vila Planalto e, na ocasião, Hélio foi contratado para prestar um serviço de jardinagem, oportunidade em que se desentenderam.

O pedreiro então matou a vítima com pauladas, cavou buraco, enterrou o corpo e depois concretou o local, colocando piso. Por este motivo, o corpo não tinha sido encontrado até então.

Já Flávio Pereira Cece, de 34 anos, desaparecido desde 2015, era dono do imóvel onde foi encontrado enterrado no bairro Alto Sumaré, região da Vila Planalto. Ele era primo do serial killer Cleber, que segundo a polícia, matou a vítima com pauladas, enterrou e vendeu a residência por R$ 50 mil com o corpo de Flávio enterrado.

Na noite do dia 15 de maio foi encontrado o corpo de Claudionor Longo Xavier, de 48 anos, que saiu de casa no dia 16 abril, foi assassinado e teve a moto XTZ Crosser vendida pelo autor. O veículo foi localizado em residência na Rua Juventus, com outro primo de Cleber.

Na manhã do dia 16 de maio, Timotio foi encontrado morto em um poço dentro de residência na Rua Urano, no bairro Vila Planalto. A primeira das vítimas a ser descoberta foi José Leonel, 61, que havia sido encontrado no dia 7 de maio, enterrado no quintal de casa na Vila Nasser.

Jornal Midiamax