Polícia

Preso em Campo Grande, ‘herdeiro de Pablo Escobar’ alega claustrofobia e tenta voltar para a Bolívia

Ele foi extraditado e defesa alega irregularidade

Renata Portela Publicado em 31/12/2021, às 10h54

Jesus Einar no dia da extradição
Jesus Einar no dia da extradição - (Foto: El Deber

A defesa de Jesus Einar Lima Lobo Dorado, conhecido como ‘herdeiro de Pablo Escobar’ e apontado como líder de grupo especializado no tráfico internacional de cocaína, tenta reverter a extradição do réu. Atualmente, ele está detido no Presídio de Segurança Máxima da Gameleira, em Campo Grande.

Segundo decisão, a defesa de Dorado alega que ele foi extraditado para o Brasil pelo Governo da Bolívia, por conta de uma prisão preventiva decretada pela Justiça Federal do Acre. Os advogados afirmam que ele foi extraditado de forma irregular, já que havia uma decisão da Justiça Boliviana, suspendendo a extradição.

Ainda conforme a defesa, além da suspensão da extradição, também foi determinada avaliação médica mensal, por conta dos problemas de saúde do réu. São estes obesidade mórbida, hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca e claustrofobia. Foi feito pedido liminar para prisão domiciliar ou internação do réu em clínica médica especializada.

Além disso, é solicitada também anulação da extradição e volta para a Bolívia. Nesta semana, o ministro Humberto Martins, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), alegou que não vê ilegalidade que justifique o deferimento liminar no regime de plantão. É aguardada nova decisão, enquanto isso Jesus Einar continua preso em Campo Grande.

Extradição

Dorado foi extraditado em maio deste ano, pela fronteira de Corumbá. Ele foi entregue à Polícia Federal pela ponte que liga os dois países, no Posto Esdras, sob forte esquema de segurança. O boliviano é apontado pela polícia como líder de um clã familiar, que mantinha vínculos com organizações dedicadas ao narcotráfico na Colômbia e no Brasil.

Jesus só foi preso em 28 de setembro de 2019, quando foi realizada uma operação em Villa Bonita, na área de Urubó, em Santa Cruz. Na época, o então ministro de Governo, Carlos Romero, o apresentou como um dos “pesos pesados” do tráfico de cocaína e "herdeiro" do conhecido traficante colombiano Célimo Andrade, parente de Pablo Escobar.

A polícia boliviana o classificou como o líder de uma organização que controlava o tráfico de drogas em toda a Amazônia. O domínio incluía áreas como San Joaquín, Santa Ana del Yacuma, Guayaramerín, Riberalta, Santa Cruz e até cidades dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Brasil.

Jornal Midiamax