Polícia

Preso acusado de matar policial em cela vai a júri quase 6 anos após crime

Investigador morreu a caminho de Campo Grande e crime ocorreu na Delegacia de Pedro Gomes

Danielle Errobidarte Publicado em 06/10/2021, às 17h42

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(Foto: Arquivo Midiamax)

O detento Zósimo Pereira dos Santos, acusado de matar o investigador da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul Anderson Garcia da Costa, de 37 anos, no interior da cela da Delegacia de Pedro Gomes vai a júri popular no próximo dia 21 de outubro. Zósimo foi intimado nesta terça-feira (5) na Penitenciária de Segurança Máxima. O policial civil morreu a caminho de Campo Grande após ser socorrido em estado grave, em novembro de 2015.

O réu foi preso em flagrante no dia 25 de novembro de 2015 pelo furto de galinhas, e teve a prisão convertida em preventiva no dia seguinte. Uma das testemunhas intimadas para depor no júri é funcionária do hospital municipal, uma vez que ele precisou ser encaminhado para receber atendimento na Capital, devido a gravidade dos ferimentos, mas não resistiu e morreu na ambulância.

Relembre o caso

Segundo informações do registro policial, por volta das 8h30 do dia 25 de novembro de 2015, Zósimo foi preso em flagrante por furto de galinhas na cidade de Pedro Gomes, passando a ocupar uma das celas da delegacia local. Ele foi colocado no solitário e, alguns minutos depois, um investigador percebeu que o homem havia danificado o encanamento do bebedouro, arrancado a fiação elétrica e rasgado um colchão. O investigador, então, entrou na cela, acompanhado de Anderson e de um policial militar, para algemar o preso.

Em seguida, o investigador foi informado pelo irmão do preso de que a Gerência Municipal de Saúde faria o encaminhamento dele, como paciente psiquiátrico e, após comunicado à delegacia, foi autorizada a colocação de Zósimo a disposição do serviço de saúde.

Contudo, ao assumir o plantão, Anderson foi informado de que uma equipe da saúde buscaria o preso, a fim de lavá-lo compulsoriamente para receber tratamento. Por volta das 9h40 Anderson retornou à delegacia, sozinho, e retirou as algemas do preso.

Segundo consta no processo, Zósimo temia ser novamente algemado e entrou em luta corporal com o investigador, atingindo golpes nele com a algema. Em determinado momento, ele conseguiu se soltr da grade onde estava agarrado e os dois caíram ao solo.

O policial, então, disparou duas vezes contra Zósimo, atingindo a região pélvica, momento em que o preso foi algemado novamente. Anderson conseguiu sair da cela, cambaleando pelo corredor, quando escutou outros presos pedindo para que ele jogasse o aparelho celular, a fim de que eles pedissem socorro, o que foi atendido pela vítima.

Uma escrivã da delegacia foi avisada e acionou o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar. Ao chegarem no local, o Zósimo estava sem roupas, algemado na grade e jogava seu corpo contra o portão, para impedir que os PMs socorressem o investigador, dizendo que "não ia deixar que tirassem Anderson dali, pois le iria morrer".

O policial foi socorrido e reclamava de dores na cabeça e falta de ar, além de falar que não sentia suas pernas. Ambos foram socorridos mas, devido aos ferimentos, Anderson morreu na ambulância à caminho de Campo Grande.

Jornal Midiamax