Polícia

Policial Penal que ficou refém por mais de 10 horas na fronteira agradece libertação

Depois de ter passado mais de 10 horas nas mãos de três internos na Penitenciária Ricardo Brandão, em Ponta Porã, na fronteira com Pedro Juan Caballlero, no Dia de Ano Novo (1), o policial penal fez uma nota de agradecimento pela sua libertação. A crise provocada pelos três detentos começou logo depois do almoço, avançou […]

Marcos Morandi Publicado em 06/01/2021, às 06h05 - Atualizado às 10h07

Policiais do Bope e do batalhão de Choque, durante ação em presídio. (Foto| Antônio Coca)
Policiais do Bope e do batalhão de Choque, durante ação em presídio. (Foto| Antônio Coca) - Policiais do Bope e do batalhão de Choque, durante ação em presídio. (Foto| Antônio Coca)

Depois de ter passado mais de 10 horas nas mãos de três internos na Penitenciária Ricardo Brandão, em Ponta Porã, na fronteira com Pedro Juan Caballlero, no Dia de Ano Novo (1), o policial penal fez uma nota de agradecimento pela sua libertação.
A crise provocada pelos três detentos começou logo depois do almoço, avançou durante noite e se estendeu por quase toda a madrugada e mobilizou autoridades penais, representantes dos direitos humanos e policiais do batalhão de Choque e também do Bope e profissionais da imprensa.

“Na verdade, nem nós mesmos que estamos dentro da segurança pública, em um dos trabalhos mais perigosos que existem, conseguimos vislumbrar a dimensão de um trabalho como o que foi realizado naquele dia, na verdade apesar de que estamos o tempo todo preparados para que algo assim ocorra, nunca chegará nem perto da realidade”, diz um trecho da nota  escrita pelo policial penal.

Veja abaixo, a íntegra da nota escrita pelo policial penal, que preferiu não se identificar:

Chega aquele momento na vida em que aprendemos a dar valor no que realmente importa, e nesse momento a palavra de toma conta de mim é GRATIDÃO, nós não temos tempo para perder com lamúrias.Ao passo que os eventos iam ocorrendo e que o desespero tomava conta de mim, começavam a chegar os colegas que tentavam de alguma forma findar a situação, aquilo me acalmava, após a chegada do COPE, e percebendo toda a movimentação eu agradecia a Deus por estarem lá, o pessoal do CHOQUE que chegou logo depois foi me dando a certeza de que tudo daria certo. Também tenho imensa gratidão pelo BOPE e seus negociadores que a cada momento mostrava uma real preocupação em resolver a situação com perícia e um profissionalismo que jamais havia visto.Estar em uma situação, como a que ocorreu no dia 01 de janeiro, me fez avaliar a importância de cada um desses profissionais, o empenho que fora colocado em cada momento e a sincronicidade em que cada um trabalhou. Na verdade, nem nós mesmos que estamos dentro da segurança pública, em um dos trabalhos mais perigosos que existem, conseguimos vislumbrar a dimensão de um trabalho como o que foi realizado naquele dia, na verdade apesar de que estamos o tempo todo preparados para que algo assim ocorra, nunca chegará nem perto da realidade, mas para os companheiros que trabalharam naquele dia, o treinamento, o estudo e o psicológico estavam sob controle, que equipe meu Deus, desde os Policiais de Segurança, os Policiais das operações especiais e os demais que ali estavam. Nunca serei capaz de recompensar o que essas pessoas fizeram por mim e pela minha família, eu gostaria de poder agradecer a cada um pessoalmente, mas creio que isso não será possível, então, ofereço a todos os profissionais que estavam presentes, aqueles que estavam fora, mas na expectativa, os meus amigos que lá estavam e outros que chegaram depois, aos Policiais Penais, Policiais Militares, Policiais Civis, Departamento de Operações de Fronteira, as forças especiais, COPE, CHOQUE e BOPE, Corpo de Bombeiros Militar, além da OAB e Jornalistas e especialmente ao presidente do Sindicado da Polícia Penal que estavam presentes, eu lhes ofereço a minha vida, que por vocês foi garantida e resguardada. A lição que fica é como é importante o trabalho em conjunto das forças de segurança, a necessidade de valorização imediata daqueles que saem de suas casas em um feriado para arriscar sua vida e o futuro de suas famílias em prol da sociedade, a valorização da vida e das pequenas coisas, e principalmente a GRATIDÃO por mais um dia de vida e o sentimento de que não ficaram pontas soltas. Foi feito exatamente o que precisava ser feito sem nenhum “E SE?”A todos, MINHA ETERNA GRATIDÃO.

Jornal Midiamax