Polícia

Mutilada, viúva de 81 anos feita refém conta que se recusou a entregar aliança a bandidos

Dupla chutou idosa no estômago, mas ela conseguiu ligar para a cuidadora, que invadiu a casa com uma faca

Thatiana Melo e Gabriel Neves Publicado em 19/10/2021, às 10h11

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(Marcos Ermínio, Midiamax)

Momentos de terror, que jamais serão esquecidos, foram vivenciados pela idosa, de 81 anos, mantida refém durante uma tentativa de roubo frustrada. Dois bandidos invadiram a sua casa, já no fim da tarde desta segunda-feira (18), no bairro Coopharádio, em Campo Grande. Muito ferida e abalada, a viúva contou com exclusividade ao Jornal Midiamax, nesta terça-feira (19), que nunca viveu nada parecido. 

Com vários curativos, após ser mutilada diversas vezes nos braços e agredida com chutes no estômago pelos criminosos, ela contou que só pedia a Deus para não morrer, chegando a questionar a um dos criminosos se ele “não tinha mãe”. 

A idosa disse estar na residência quando percebeu haver pessoas dentro da sua casa — ela deixou as chaves na porta dos fundos, por onde os bandidos entraram. Ao perceber a invasão, já no final da tarde, a idosa ligou para a cuidadora. Os bandidos renderam a moradora, exigindo que ela entregasse ouro e mostrasse onde estava o cofre.

Quando ela disse que não tinha ouro, os bandidos tomaram da idosa o par de brincos que usava, uma correntinha e exigiram que ela entregasse a aliança de casamento. 

"Disse que o meu anel não ia sair do dedo. É do meu marido, já falecido", conta, com a voz embargada. Irritados, os criminosos ameaçaram cortar o dedo caso ela não entregasse a aliança de casamento. 

Ela começou a chorar, sendo levada para um dos quartos. Os bandidos, então, passaram a chutá-la no estômago e esfaqueá-la nos braços. A vítima implorava para não ser morta e, no momento em que gritava por socorro, a cuidadora chegou à frente da casa e ouviu os pedidos da moradora. Foi então que percebeu o crime e ligou para a polícia.

Coragem

Após ligar para a polícia, a mulher entrou na residência e pegou uma faca, em direção ao quarto, sendo surpreendida por um dos bandidos, que apontou o revólver para a sua cabeça. “Nunca passei por isso, não desejo a ninguém”, disse a mulher de 51 anos. Ela revelou que foi amarrada com um lençol pelos bandidos, mas como o nó estava frouxo, conseguiu se soltar. 

O celular dela foi tomado por um dos autores, que fez mais disparos no quarto, dizendo: “Atira na cabeça dela e liga para a mídia”. Os criminosos ainda improvisaram uma barricada com as portas de um guarda-roupa, para impedir que os policiais entrassem e atirassem contra eles. 

“Só pensava nela (idosa). Ela é como uma mãe para mim”, disse a cuidadora, que revelou pensar que iria morrer. A filha da idosa, que mora no interior, soube do cárcere e veio para Campo Grande, mas quando chegou ela já havia sido libertada. O genro da idosa disse que agora a ideia é levar a sogra para morar com eles no interior. 

O crime

Duas mulheres, uma idosa de 81 anos e sua vizinha, que cuida dela, de 51 anos, viveram momentos de tensão após dois bandidos armados invadirem a casa da idosa, atraídos por cadeiras na varanda. Ao perceberem que a casa estava aberta, eles entraram e abordaram a vítima. Policiais foram até a residência após ligação para o Ciops sobre a invasão. Quando os militares chegaram, escutaram gritos de uma das vítimas, pedindo por socorro. Ela gritava que um dos autores estaria apontando uma arma para sua cabeça, impossibilitando assim que os policiais entrassem na casa. Foi pedido socorro e um dos militares ficou vigiando a porta da residência.

Foi iniciada a conversa com os criminosos, que disseram que não iriam mais machucar as vítimas, exigindo a presença da imprensa e de negociadores. Em seguida, chegaram ao local equipes do Bope e do Choque. Durante a conversa, os bandidos disseram que iriam levar as mulheres até um cômodo da residência para poder dialogar com os policiais.

Negociação

Durante a negociação, os autores efetuaram mais disparos dentro da residência — dois atingiram o teto da casa e um terceiro a porta do banheiro. Após algum tempo em negociação com a equipe do Bope, os autores resolveram se render, liberando as vítimas. Com eles, estava um revólver calibre .38, com 19 munições intactas e três cartuchos deflagrados, duas facas, um celular, além de ser encontrado com eles um par de brincos, um colar e um anel. 

Segundo o capitão Moreira Araújo, comandante do Bope, após a prisão dos bandidos, eles teriam dito que entraram na casa para roubar cadeiras, mas tiveram os planos frustrados quando uma viatura da polícia chegou ao local após ligações para o Ciops de uma invasão à residência. 

Mas, segundo o capitão, os bandidos possivelmente mentiram na tentativa de minimizar o crime. Já que, quando os policiais chegaram a casa, visualizaram os criminosos fazendo das mulheres reféns. Os dois foram presos após duas horas de negociação e vão passar por audiência de custódia, onde será determinada ou não pela prisão preventiva. 

Jornal Midiamax